Publicado 18 de Julho de 2021 - 12h36

Por Do Correio Popular

No início dos anos 1980, a dra. Silvia Brandalise lançou o primeiro protocolo de tratamento da Leucemia Linfóide Aguda (LLA) da criança. Desde então, dedica-se a cuidar das crianças, adolescentes e adultos jovens portadores de doenças sanguíneas ou de câncer, através de atendimento médico e multiprofissional. São 54 anos de carreira, dos quais 43 dedicados ao Centro Infantil Boldrini em Campinas - o maior hospital especializado no cuidado a crianças e adolescentes com câncer e doenças do sangue da América Latina.

Em entrevista exclusiva concedida na edição de hoje do nosso jornal, a dra. Silvia comenta o enorme avanço que o tratamento da doença teve nas últimas décadas. Antes do Boldrini existir, a chance de cura das crianças e jovens abaixo dos 19 anos era de menos de 10%. Hoje, com o tratamento desenvolvido pelo hospital campineiro, o índice de cura aumentou impressionantes 77% de chances de sobrevivência, em muitos casos com 100% de remissão, estágio em que a doença encontra-se controlada e sem manifestar sintomas. Claro que o câncer infantil ainda é um brutal desafio a ser enfrentado.

Assim, a incansável dra. Silvia decidiu arregaçar as mangas novamente para avançar ainda mais na tão sonhada cura do câncer infantil. Para isso, um centro especializado no desenvolvimento de novas drogas para tratamento da doença foi criado no Boldrini. O instituto reúne pesquisadores de todo o país e tem como objetivo desenvolver medicamentos totalmente nacionais, capazes de serem aplicados no tratamento oncológico de crianças e adolescentes.

A meta é criar fármacos baseados em estudos genéticos, um campo que procura entender os mecanismos por trás das reações do organismo humano às drogas de quimioterapia. Espera-se que seja possível reduzir os efeitos adversos que o tratamento oncológico causa nas pessoas. Porém, sua iniciativa, assim como a de muitos pesquisadores, não encontra respaldo.

Com uma crônica falta de verbas para pesquisa científica ou suspensão frequente do envio de novos recursos federais, não restou outra opção ao Boldrini senão buscar apoio junto à sociedade civil. Assim, foi criado um Fundo para aplicação de doações. O fundo será administrado pela Fundação Banco do Brasil, sem custo algum para a entidade. As colaborações financeiras oriundas de pessoas físicas ou jurídicas poderão ser compensadas com incentivos tributários. Uma iniciativa que merece todo o apoio e respeito.

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