Publicado 16 de Julho de 2021 - 9h51

Por Do Correio Popular

Sempre que o tema educação é abordado, deparamos com a pergunta: por que o ensino brasileiro é tão fraco? Na ansiedade de encontrarmos uma resposta, comumente surgem explicações variadas, algumas consistentes e outras nem tanto. A mais comum delas refere-se ao baixo investimento em escolarização. Por outro lado, há quem aponte que, no passado, as escolas públicas ofereciam um ensino de qualidade superior. Há muitas outras teorias sobre o assunto, porém, a verdade é que a má qualidade do ensino no Brasil tem raízes históricas profundas e antigas, que remontam ao tempo da colônia, passando pelo império e república.

Quando D. João VI aportou em terras baianas, transferindo a coroa portuguesa de mala e cuia ao Brasil, fugindo do imperador Napoleão Bonaparte, o então príncipe-regente de Portugal ficou impressionado com a constituição étnica de sua maior colônia. Quase 60% da população brasileira, na época, se declaravam pardos ou pretos, contra 38% que se diziam brancos. Os estrangeiros somavam 3,8% e os indígenas perfaziam 4% do total. Em 1872, existiam 10 milhões de habitantes no País. Desses, 15% eram escravos negros. Lembrando que o Brasil foi o último país do mundo a acabar com a escravidão.

A chaga do regime escravocrata, que durou três séculos, deixou marcas profundas que reverberam até hoje. Uma delas é a exclusão social. Por conta disso, escola sempre foi para poucos afortunados e quase todo mundo era analfabeto. Em 1950, metade da população brasileira não sabia ler. A situação melhorou muito, não obstante, o Brasil ainda hoje é o 74º país com maior número de analfabetos no mundo, ainda que este seja o indicador educacional mais basal de uma população. Se as escolas públicas eram melhores no passado, então, como se explica esse analfabetismo alastrante? A resposta é que essa "boa educação pública" não era universal.

Com a Constituição de 1988, pela primeira vez a universalização do ensino foi garantida na letra da lei. Com isso, a educação brasileira passou por grandes transformações, mas ainda assim longe de cumprir esse ideal. Agora, com a polêmica das escolas em tempo integral, professores, pais e alunos denunciam o risco de uma nova evasão escolar. O temor é de que os estudantes tenham que optar entre ficar o dia todo na escola ou ter que trabalhar, por exemplo. O assunto é complexo e requer um debate mais amplo e criterioso. Do contrário, corre-se o risco de reeditarmos as "boas escolas públicas" do passado, porém, para poucos.

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