Publicado 29 de Junho de 2021 - 9h50

Por Correio Popular

O delicioso churrasco na laje, expressão utilizada para denominar um lazer gastronômico típico das famílias de baixa renda, que se popularizou entre os anos de 2000 e 2014 no Brasil, deixou saudades. Nessa época, era possível comprar carne de primeira para assar, acompanhada de uma boa cerveja gelada. De lá para cá, consumir produtos de qualidade a preços acessíveis se tornou quase impossível. A inflação dos alimentos já vinha crescendo mesmo antes da covid-19, mas agora se tornou crônica. Em 2020, primeiro ano da pandemia, atingiu a casa de 15% no Estado de São Paulo, segundo cálculo da Associação Paulista de Supermercados (Apas). É o maior índice inflacionário de alimentos em dez anos.

A cesta básica já está custando mais da metade do salário mínimo, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A inflação que interessa é a das prateleiras do supermercado. É aquela que dói no bolso do consumidor. A sensação de "tudo mais caro" é geral. As pessoas são forçadas a substituir alimentos, cortar o supérfluo e comprar somente o necessário. Ato contínuo, ocorre uma redução dos valores nutritivos consumidos, com menos proteínas, vitaminas e outras substâncias, o que impacta a saúde das pessoas.

As razões dessa disparada do preço dos alimentos são variadas. A pandemia exerce uma pressão relevante, mas não é a única. O surto inflacionário é fruto da política do atual governo federal que favorece os grandes produtores do agronegócio. Com o dólar nas alturas, o setor exporta quase toda a produção de soja, milho e carne, e o que sobra para o consumo interno é vendido a preços exorbitantes.

O fechamento de armazéns públicos de alimentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também contribui para esse aumento de preços. Esses grandes depósitos guardavam alimentos como arroz e feijão, o que ajudava a equilibrar os preços. Quando o valor subia, a Conab vendia os produtos armazenados mais barato e, com isso, forçava uma redução no preço dos produtos. Mais de 20 armazéns foram fechados.

Quase todas as lideranças políticas e econômicas do País, dos mais diferentes espectros ideológicos, condenam a atual política econômica, que, somada a uma gestão ambiental desastrosa, precarização recorde do trabalho e cortes na educação e pesquisa, acaba por frustrar as expectativas da maioria das pessoas. É preciso corrigir os rumos.

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