Publicado 23 de Junho de 2021 - 9h57

Por Correio Popular

A reação dos supermercados ao decreto publicado pela Prefeitura de Campinas, que antecipou para as 19h o início do toque de recolher, classificando a medida de restrição como "descabida", causa estranheza e perplexidade. Seus representantes chegaram a afirmar que o setor será um dos que mais vão sentir o impacto negativo no faturamento por causa das medidas restritivas. No momento em que as autoridades sanitárias tomam decisões corretas de enfrentamento à covid, os supermercados se colocam como os maiores prejudicados. Trata-se de uma análise desconectada da realidade.

Além da tragédia sanitária, o coronavírus impôs uma crise econômica secular. Mas em função de suas características, alguns segmentos foram mais afetados, enquanto outros foram beneficiados. É o caso dos supermercados, que por serem considerados um serviço essencial, têm funcionado sem restrições, absorvendo inclusive parte do consumo que antes era direcionado a bares e restaurantes. Este sim um setor duramente atingido pela pandemia, com milhares de estabelecimentos fechados.

Obviamente, não se deve culpar um segmento econômico apenas pela sua natureza comercial, seria uma estupidez fazê-lo. Mas a verdade é que, dada as suas peculiaridades, os supermercados foram poupados da onda esmagadora que, lamentavelmente, a pandemia impôs a setores como os de serviços, lazer, turismo, hotéis, bares e restaurantes e outros ramos do varejo.

Dados do IBGE evidenciam essa realidade, tanto que a recuperação econômica do setor varejista é sustentada basicamente pelas vendas de supermercados. Segundo o órgão, sete das oito atividades que integram o segmento registraram retração nas vendas em março e fevereiro. Na média global, o volume vendido caiu 0,6%. A única taxa positiva foi a de hipermercados e supermercados (3,3%), impedindo um recuo maior no varejo como um todo. Negar essa realidade é flertar com o cinismo e a hipocrisia.

O argumento utilizado pelo setor supermercadista para contestar as medidas de restrição corretamente impostas pela Prefeitura é, no mínimo, um equívoco. Ao inferir que a Administração estaria negando o direito das pessoas a ter acesso a itens de primeira necessidade, apenas porque os estabelecimentos terão que fechar as portas às 19h, seus representantes se esquecem de que o direito à saúde se sobrepõe a qualquer outro direito. Antes de tudo, é preciso preservar a vida, até porque mortos não fazem compras em supermercados.

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