Publicado 10 de Junho de 2021 - 9h14

Por Correio Popular

Embora morrer de sede em pleno oceano seja compreensível, não deixa de ser uma sinistra ironia da natureza, mesmo sabendo-se que a água do mar é insalubre e sua ingestão levaria uma pessoa à morte em poucos dias. A água potável é o bem mais precioso e um dos mais escassos do planeta e a vida depende inteiramente dela para a sua manutenção. Esse contraste - morrer de sede no mar - simboliza bem esse dilema.

Apesar de mais de 70% da Terra ser coberta por esse líquido, isso não significa que esteja disponível em abundância. Dos 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos existentes no planeta, apenas 2,5% são potáveis. E das reservas de água doce, apenas 0,3% é de acesso relativamente fácil. Portanto, estamos falando de um bem indispensável à vida e, ao mesmo tempo, relativamente raro.

Tratamos do tema crise hídrica há poucas semanas, mas os crescentes alertas dos técnicos que monitoram diariamente as bacias hidrográficas da região reforçam a necessidade de se intensificar os avisos à população para os riscos de desabastecimento, principalmente para o próximo ano. Em consequência, além da falta d'água, o fantasma do apagão elétrico ronda novamente o país.

Diante do pequeno volume de chuva em curso este ano, cidades da região começaram a tomar providências domésticas mais duras, no sentido de combater o desperdício. Vinhedo, por exemplo, decidiu multar em R$ 535,83 a pessoa que for flagrada irrigando gramados ou jardins, lavando calçadas, ruas, varandas, pátios, quintais ou veículos. A cada nova reincidência, a multa será dobrada. Outros municípios poderão adotar medidas semelhantes a qualquer momento.

Embora seja necessário empregar medidas mais severas de fiscalização do uso da água, certamente a maioria da população está pronta a colaborar, assim como já se engajou fortemente na última crise hídrica, poupando o seu uso e fazendo adequações hidráulicas a fim de se obter uma economia maior do líquido.

O nível da água do Sistema Cantareira, que abastece parte da Grande São Paulo e a Região de Campinas, encontra-se bem abaixo do volume ideal, mesmo com a transferência de cerca de cinco mil litros por segundo da bacia do rio Paraíba do Sul, contratada pelo governo paulista a partir de 2018, após a última crise hídrica que afetou o Estado entre os anos de 2014 e 2016. Diante do cenário crítico que se avizinha, é preciso redobrar a atenção, fechar as torneiras e evitar o desperdício de água e energia elétrica. Vamos fazer a nossa parte!

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