Publicado 09 de Junho de 2021 - 9h29

Por Correio Popular

Dá para imaginar qual seria o índice de mortalidade na pandemia em um cenário sem o Sistema Único de Saúde (SUS)? Certamente seria bem maior do que o atual, com projeções ainda mais catastróficas. Mesmo com todas as deficiências, o sistema de saúde público e universal brasileiro é reconhecido no mundo. Países que optaram por um modelo privado deixaram desassistida sua população. Até mesmo em países ricos, como os Estados Unidos, os usuários sentiram a falta de um sistema público que garantisse um mínimo de atendimento na pandemia.

Se depender da inclinação dos defensores de políticas econômicas liberais, o SUS pode estar com os dias contados. A rigor, um desmonte silencioso já vinha em curso desde antes da pandemia. O advento da covid-19 freou o ímpeto dos críticos da política de bem-estar social, que viveu o auge no final dos anos 70, quando entrou em franco declínio, alternando altos e baixos até os dias atuais.

É preciso ressaltar, no entanto, que apesar da pandemia, ataques pontuais ao sistema vêm ocorrendo. É o caso da farmácia popular, um grande avanço em política pública de saúde, que contribui de forma inequívoca ao controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, gatilhos para inúmeros outros problemas que impactam o sistema de saúde e oneram os gastos com tratamentos, exames e internações. O subsídio governamental à compra de remédios populares compensa o controle de outras moléstias.

Em Campinas, o Conselho Municipal de Saúde alerta para a falta de medicamentos nos centros de saúde, que provoca interrupção de tratamentos e, em consequência, a ampliação das dificuldades dos pacientes com doenças crônicas. Em maio, de um total de 279 remédios, 47 itens estavam em falta nos postos, ou seja, 16,85%. Os medicamentos com estoque baixo no almoxarifado (menos de 100 unidades) correspondem a 40 itens, 14,33% do total. Ou seja, se não forem repostos farão falta aos usuários em breve.

Cabe à Secretaria Municipal de Saúde buscar soluções para resolver logo a situação. A sociedade campineira não suporta as velhas desculpas de licitações fracassadas ou de falta de interesse dos fornecedores. Faz-se necessário um diagnóstico preciso do problema e a adoção de soluções práticas e eficazes que reponham o estoque dos medicamentos. Vale lembrar que o direito à saúde está previsto na Constituição Federal. São garantias que devem se materializar em atos concretos. É o que a sociedade cobra e espera.

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