Publicado 01 de Junho de 2021 - 10h36

Por Correio Popular

"Acabaram as doses destinadas para o agendamento". Esse é o aviso desalentador publicado em 31/05/2021 no portal da vacinação contra a covid-19 da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas. A mensagem dispensa explicações. A baixa imunização contra a doença é reflexo direto dos sucessivos erros cometidos pelo governo federal na gestão da pandemia.

Com viés ideológico e contaminado por um clima de antecipação eleitoral, a estratégia adotada pelas autoridades sanitárias federais leva a Nação a sucumbir diante de um patógeno que ceifa milhões de vidas, destrói empregos e negócios e condena uma geração a uma espécie de esquizofrenia diante do pesadelo a que se submete.

O professor Luiz Carlos Dias, da Unicamp, chama a atenção para o fato de que apenas 10% das pessoas estão efetivamente protegidas após cinco meses de campanha. Nesse ritmo, a população brasileira estará totalmente vacinada somente no início de 2023. Em consequência, o professor adverte que isso é inaceitável, porque milhares de pessoas vão morrer até lá, muito além das atuais 460 mil mortes.

Mas afinal, o Brasil vacina pouco ou muito? Com quase 500 mil mortes, as críticas com relação ao desempenho da vacinação são inevitáveis. Porém, o governo se defende com o argumento de que o país ocupa a quarta colocação na classificação mundial de vacinados. Segundo a Universidade de Oxford, no Reino Unido, esse dado é verdadeiro. Por esse critério, é um patamar esperado para o sexto país mais populoso do mundo, com 212 milhões de habitantes.

Entretanto, quando a comparação do total de doses aplicadas considera o tamanho da população de cada país, o Brasil aparece em 77º lugar entre 190 nações e territórios. Outro dado relevante diz respeito à velocidade de aplicação. O Ministério da Saúde afirma que o país tem capacidade instalada de vacinar 2,4 milhões por dia. E já chegou a vacinar 18 milhões de crianças em campanha contra a poliomielite. Porém, desde 17 de janeiro de 2021, o Brasil só superou três vezes a marca de um milhão de vacinados em 24h. Uma decepção.

E com o vírus circulando livremente, novas mutações podem surgir a ponto de colocar em risco a capacidade de proteção das vacinas, o que seria ainda mais catastrófico, segundo alertam os especialistas. É preciso uma reação da sociedade organizada, de modo a mudar os rumos, o que parece pouco provável, dado o estado de letargia em que as instituições republicanas se encontram. Só nos resta a esperança.

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