Publicado 30 de Maio de 2021 - 9h45

Por Correio Popular

Desde o dia 22 de março, quando Sandra Ciocci comunicou a sua exoneração do cargo de secretária de Cultura, alegando motivos pessoais, o setor cultural da cidade está à deriva, sem uma definição sobre a escolha de um novo titular. Enquanto isso, museus, teatros, casas de cultura e espaços de arte sofrem com o abandono e degradação. Ao mesmo tempo, artistas locais perambulam pela cidade em uma frenética e desesperada busca pela sobrevivência na pandemia.

Passados 68 dias de indefinição, a pasta segue comandada interinamente por Marianne Bockelmann, diretora administrativa, uma servidora que acumula funções e trabalha sem as mínimas condições técnicas para conduzir as políticas públicas voltadas ao setor.

A pergunta que não se cala: quais seriam as razões que justifiquem de forma republicana as dificuldades para escolher um titular para a Secretaria de Cultura? Faltariam quadros na cidade à altura de tamanha envergadura e responsabilidade? Impossível crer que em uma cidade como Campinas, não seja possível encontrar alguém que reúna as qualidades necessárias para ocupar o cargo.

Poderia-se argumentar que a prioridade agora é o combate ao coronavírus, porém uma justificativa assim construída careceria de fundamentos lógicos e soaria como uma desculpa a tergiversar o núcleo da questão. Definitivamente, essa não parece ser a melhor escolha para uma administração que, em tese, deveria valorizar a produção cultural local, o acervo e os equipamentos que estão sob sua responsabilidade.

As cenas de degradação são impactantes. Um exemplo é a Estação Cultura, abandonada, com vidros quebrados, fios soltos e teto com risco de desabamento. Até a Orquestra Sinfônica Municipal teve que abandonar o espaço por risco de acidentes. O cenário de abandono atinge também outros equipamentos culturais importantes, como o Museu da Cidade Lidgerwood; o Museu da Imagem e do Som (MIS); o Casarão de Barão Geraldo; a Casa de Cultura Fazenda Roseira; o Lago do Café, entre tantos outros redutos da arte e da cultura. O MIS, que fica no histórico Palácio dos Azulejos, está com o teto desmanchando aos poucos e as paredes com o reboco caindo. Há infiltração de água por causa de danos no telhado.

Mais do que nomear um novo titular para a pasta, Campinas carece de uma política pública que norteie a cultura, recupere o patrimônio popular e atenda aos anseios da comunidade artística da cidade.

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