Publicado 27 de Maio de 2021 - 10h46

Por Adriana Giachini/ Correio Popularlar

Quando a antiga Grécia foi invadida por Roma, no longínquo ano de 146 a.C, ninguém imaginava que o poderoso império seria subjugado pela cultura e o conhecimento dos gregos. Naquele tempo, barrar a formidável máquina de guerra romana era uma ideia inconcebível e estúpida. Nações, aldeias, grupamentos étnicos, províncias espalhadas por toda a Europa, Ásia, Oriente Médio e norte da África, nada era capaz de deter o avanço do poderoso Império Romano. Exceto a Grécia, não militarmente, mas a sua grandiosa cultura se impôs como um escudo invisível que prevaleceu sobre o invasor e acabou por influenciá-lo diretamente.

A história comprova que ativos materiais produzidos pelo homem são efêmeros. Mas a cultura e o conhecimento são perenes, indestrutíveis e podem ser transmitidos ao longo do tempo. Avançamos até os dias de hoje para traçar um paralelo com a experiência bem-sucedida dos estudos que desvendaram a estrutura de um vírus. Trata-se de um organismo chamado de Mayaro, causador de uma doença semelhante à Chikungunya.

Esse evento formidável aconteceu em Campinas, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), onde funciona o acelerador de partículas Sirius, um dos maiores do mundo. O mapeamento total desse microorganismo e os benefícios advindos dessa descoberta científica carregam uma verdade absoluta: o capital mais valioso do homem é o seu conhecimento, sua cultura e o saber tecnológico, ativos imateriais e abstratos que se acumulam no tempo e perpetuam uma civilização.

Ocorre que, por conveniências políticas internas e externas, associadas a um peculiar desinteresse das elites brasileiras, o campo da pesquisa científica e tecnológica sobrevive de parcos recursos orçamentários ao longo de sua história e, mesmo assim, ainda consegue proezas, como essa que possibilitou o mapeamento de um vírus. Uma descoberta que deve facilitar o desenvolvimento de novos métodos de diagnóstico, medicamentos e imunizantes contra a doença, que é transmitida por mosquitos.

Os resultados obtidos pelos laboratórios de biociências e de nanotecnologia do CNPEM  são motivos de orgulho à comunidade científica brasileira e devem servir de bandeira na defesa da necessidade imperiosa do aporte de recursos públicos e privados em pesquisas dessa natureza. A pandemia da covid e a corrida pelas vacinas tornam essa verdade inexorável.

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Adriana Giachini/ Correio Popularlar