Publicado 23 de Maio de 2021 - 13h40

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A segunda metade do século XVIII foi um período de grande desenvolvimento tecnológico que teve início na Inglaterra com a Revolução Industrial. A onda se espalhou pelo mundo, causando enormes transformações. Ela criou as bases para o surgimento da indústria e consolidou o processo de formação do capitalismo.

Com isso, houve o êxodo rural e a urbanização. A produção manual foi substituída por máquinas, causando enorme impacto nas relações de trabalho, gerando uma reação dos trabalhadores, cada vez mais explorados no contexto industrial.

Com a mecanização da produção, que antes era totalmente artesanal, o artesão foi substituído pelo operário que ganhava bem menos. Além de salários extremamente baixos, os trabalhadores eram obrigados a aceitar uma carga de trabalho excessivamente elevada. Além de cansativo, o trabalho era perigoso, com muitos acidentes graves. Nesse cenário conflituoso, nasceram os sindicatos dos trabalhadores ingleses.

Assim, surgiram as primeiras conquistas: a delimitação da jornada de trabalho e o pagamento mínimo, que são, na verdade, as duas primeiras grandes e históricas conquistas trabalhistas. Essa análise é corroborada pelo advogado Júlio de Figueiredo Torres Filho, em entrevista concedida ao nosso jornal na edição de hoje. O dr. Torres faz uma análise criteriosa do momento atual, de pandemia, e das mudanças em curso.

Assim como o mundo viveu a Revolução Industrial que abalou as estruturas sociais, econômicas e de relação de trabalho da época, o mundo vive hoje uma nova revolução. Para o dr. Torres, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), implantada em 1943 no governo Vargas, foi importante na regração entre o capital e o trabalho, mas atualmente precisa se modernizar, para poder acompanhar as transformações.

A CLT, na visão do dr. Torres, não contempla as demandas atuais, visto que a realidade é muito diferente daquela época, e a lei acaba andando atrás do fato, ou seja, o fato ocorre antes para depois ser regulamentado. A atividade humana é rápida demais, muito volátil, muda a toda hora e a lei tem que correr atrás para, de alguma maneira, regulamentar aquela atividade, para evitar ou minimizar abusos e conflitos.

A pandemia, para o entrevistado, acelerou todo esse processo que já vinha acontecendo. Mas agora, na sua análise, precisa de mudanças que beneficiem tanto o empregador como o empregado, com base na realidade que sustenta o mundo do trabalho.

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