Publicado 15 de Janeiro de 2022 - 12h41

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

A população cresce em ritmo cada vez mais lento já há alguns anos

Divulgação

A população cresce em ritmo cada vez mais lento já há alguns anos

Existem algumas condições e tendências que irão moldar a economia nos próximos anos. Uma delas diz respeito ao crescimento demográfico. A população cresce em ritmo cada vez mais lento já há alguns anos e a pandemia acelerou essa tendência. Com a grave crise sanitária, e também a crise econômica que veio na sequência, vários casais adiaram os planos de terem filhos.

Crescimento Demográfico 2

As taxas de crescimento da população mundial passaram de 2,1% ao ano em 1970 para 1,0% em 2020. No Brasil, essa mesma tendência também se verifica e de maneira ainda mais acentuada. A taxa de crescimento populacional passou de 2,6% ao ano em 1970 para apenas 0,7% em 2020. Em 1960, a taxa de crescimento populacional no Brasil era de 3,0%.

FRASE

"Crescimento nunca acontece por mero acaso, mas é o resultado de forças trabalhando juntas."

James Cash Penney, empresário norte-americano

Crescimento Duplo

Se por um lado um menor crescimento populacional facilita o planejamento de longo prazo e diminui as pressões sobre o meio ambiente, por outro lado um maior crescimento populacional induz a maior crescimento econômico. A economia cresce, mesmo que pelo efeito quantitativo, pois existe maior força de trabalho. Maior número de pessoas trabalhando, maior produção.

Envelhecimento

O baixo crescimento populacional tem contribuído para desacelerar o crescimento econômico, no Brasil e no mundo. Esse efeito foi intensificado na pandemia. Com taxas de natalidade cada vez mais baixas e expectativa de vida cada vez mais longas, por conta dos avanços na área da saúde, o resultado é o envelhecimento da população. No mundo e também no Brasil.

Força de Trabalho

A idade média tem aumentado e a força de trabalho já tem diminuído em alguns lugares, por causa do envelhecimento da população. Em 2000, 17 países do mundo tinham a sua população economicamente ativa em declínio. Atualmente, já são 51 países no mundo que apresentam esse declínio. Segundo dados do Banco Mundial, o tamanho da força de trabalho diminuiu em 2020.

Envelhecimento 2

O envelhecimento da população traz consequências para a economia, tanto em termos de produção, pela diminuição da população economicamente ativa, como em relação à previdência. O Brasil tem hoje 15% de sua população com idade acima de 60 anos. Em 2051, quase 29% da população brasileira estará acima desta idade.

Crescimento Econômico

O rápido crescimento econômico verificado no Brasil na década de 70 foi em grande parte impulsionado pelo vigoroso crescimento populacional. Enquanto a população crescia rapidamente e mais pessoas iam sendo incorporadas à força de trabalho, a produção aumentava com facilidade. Mas agora perdemos o impulso demográfico e nosso país está ficando velho antes de enriquecer.

Produtividade

Para enfrentar esse desafio e sustentar o crescimento econômico, mesmo com uma população que cresce cada vez menos e que está envelhecendo, só há uma maneira: aumentar a produtividade. Se a força de trabalho não aumenta, é preciso aumentar o valor da produção de cada indivíduo. Existem dois caminhos, que são complementares, para fazer isso.

Educação

O primeiro caminho é a educação. Educar melhor para termos profissionais mais capacitados e pessoas mais produtivas. O investimento em educação e conhecimento produz melhores profissionais que são capazes de criar novos métodos de produção, novos produtos e novas tecnologias que irão impulsionar o valor da nossa economia.

Ambiente de Negócios

O segundo caminho é melhorar a chamada "facilidade de realizar negócios" ou facilidade de empreender, pois um grande potencial de produção é perdido devido às ineficiências do ambiente de negócios. Ao encaminhar as reformas administrativas para modernizar a economia brasileira, desburocratizar e agilizar processos, pode-se melhorar o ambiente de negócios e fomentar o aumento da produção em nosso país.

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Estéfano Barioni/ Correio Popular