Publicado 14 de Janeiro de 2022 - 8h19

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

A inflação nos Estados Unidos registrou aumento de 0,5% em dezembro, fechando o ano em 7,0%

Divulgação

A inflação nos Estados Unidos registrou aumento de 0,5% em dezembro, fechando o ano em 7,0%

Talvez o dado mais importante divulgado nesta semana tenha sido a inflação nos Estados Unidos, que registrou aumento de 0,5% em dezembro, fechando o ano em 7,0%. Esta é a inflação anual mais alta nos Estados Unidos nos últimos quarenta anos. E o dado é importante porque ajuda a definir a política monetária que será adotada por esse país nos próximos meses.

Política Monetária

A política monetária dos Estados Unidos importa muito porque uma elevação da taxa de juros norte-americana (o método mais ortodoxo para combater a elevação dos preços), acaba reduzindo a liquidez de recursos internacionais. E isso tem impactos significativos nos investimentos e no ritmo de crescimento ao redor do mundo.

FRASE

"Não há um caminho livre de risco para a política monetária."

Jerome Powell, presidente do FED

Peso do Dólar

Os títulos da dívida pública norte-americana são tidos como os ativos mais seguros de todo o mercado e são até definidos como o padrão de ativo livre de risco. Como os Estados Unidos são a maior economia do mundo (sozinhos, os Estados Unidos sãoxx responsáveis por 25% do PIB mundial), o dólar acaba sendo a referência mundial de valor.

Emissor

Por ser o único emissor de dólares do mundo, o governo norte-americano tem uma posição de segurança singular. Os títulos da dívida americana são os mais seguros do mundo pois o risco de não pagamento é mínimo. Além do país ser responsável por 1/4 da economia mundial, em último caso, bastaria a casa da moeda imprimir mais dólares que o pagamento estaria garantido.

Moeda Forte

O mesmo não se aplica diretamente aos países que não são emissores de moeda forte (o Dólar americano ou mesmo o Euro), como é o caso de todos os emergentes, incluindo o Brasil. Mesmo que o endividamento público esteja todo em moeda local, esses países precisam ter cuidado com o nível de endividamento, pois o recurso de emissão de moeda não garante o pagamento da dívida.

Taxa de Câmbio

Em uma economia cada vez mais aberta e globalizada, o valor de uma moeda depende da taxa de conversão (taxa de câmbio) com as outras moedas. E a principal referência é o Dólar. De nada adianta um país honrar o pagamento de sua dívida em moeda local, se a moeda se desvalorizou imensamente. O valor recebido não corresponderá à expectativa de retorno dos investidores.

Risco País

Uma medida da diferença de risco entre um título da dívida norte-americana com um título da dívida nacional é o Risco País. Atualmente, o risco Brasil está em 209,1 pontos. Isso significa que um título brasileiro precisa pagar no mínimo 2,091% a mais do que um título norte-americano para compensar o investidor pelo maior risco que ele está assumindo.

Aumento de Juros

Quando o Banco Central dos Estados Unidos (o FED) aumenta a taxa de juros, oferece maiores retornos nos seus títulos públicos, que são tidos como livres de risco. Isso provoca dois efeitos conjuntos. Primeiro, com maiores retornos oferecidos, os títulos em Dólar atraem mais investidores. Há uma migração de recursos internacionais para os títulos do tesouro norte-americano e os emergentes perdem esses recursos, a não ser que aumentem ainda mais seus juros.

Aumento de Juros 2

Além disso, com aumento do retorno oferecido sem risco, menos investimentos são realizados na economia real. Como todo investimento no setor produtivo tem risco, os investidores passam a exigir maiores retornos, já que a remuneração sem qualquer risco ficou maior. Assim, muitos projetos acabam não sendo executados e o ritmo de crescimento da economia mundial passa a ser menor.

Inflação

Sabe-se que, neste ano, o FED irá aumentar a taxa de juros da economia americana para conter a inflação. A boa notícia é que a inflação americana, apesar de alta, veio em linha com a expectativa dos agentes de mercado. Dessa forma, a política monetária do FED deverá seguir o que já foi sinalizado ao mercado, sem necessidade de acelerar a elevação dos juros antes do esperado. Teremos ainda alguns meses de alívio.

Escrito por:

Estéfano Barioni/ Correio Popular