Publicado 13 de Janeiro de 2022 - 8h27

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

O IPCA do mês de dezembro foi finalmente divulgado pelo IBGE

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O IPCA do mês de dezembro foi finalmente divulgado pelo IBGE

O IPCA do mês de dezembro foi finalmente divulgado pelo IBGE. A inflação registrada no mês passado ficou em 0,73% fazendo com que o índice de inflação fechasse o ano de 2021 em 10,06%. É a inflação anual mais alta observada no Brasil desde 2015, quando o IPCA teve um acúmulo de 10,67%. A meta do Banco Central, que não foi atingida, era manter a inflação dentro de um intervalo entre 2,25% e 5,25%.

Aumento de Preços

O IBGE pesquisa os preços de produtos que são divididos em nove grupos. Desses grupos, todos apresentaram aumento em 2021, sendo que quatro grupos tiveram aumentos maiores do que 10%. Comparando com o ano anterior, oito grupos apresentaram aumentos e um deles teve retração. Em 2020, apenas um grupo teve aumento acima de 10% e a inflação final ficou em 4,52%.

FRASE

"A inflação baixa e estável é uma conquista importante que traz benefícios significativos."

Ben Bernanke, ex-presidente do FED

Combustíveis

O grupo de Transportes teve a maior aumento de preços, alcançando 21,03% em 2021. Nesse grupo, os combustíveis foram os responsáveis pelos maiores aumentos. A gasolina subiu 47,49% em média em 2021 e o etanol teve aumento de 62,23%. Quedas nos preços dos combustíveis só ocorreram nos meses de abril e novembro. O transporte por aplicativo teve aumento de 33,75% no ano passado.

Eletricidade

O grupo de Habitação registrou inflação de 13,05% em 2021 e o maior aumento foi causado pelo custo da eletricidade, que aumentou 21,21% no ano passado. Com a crise hídrica, o custo da eletricidade foi subindo ao longo do ano. A partir de maio, a bandeira tarifária vermelha foi acionada e, a partir de setembro, entrou em vigor a bandeira tarifária crise hídrica, causando uma cobrança adicional de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos.

Gás de Botijão

O gás de botijão também contribuiu muito para o aumento dos custos do grupo de Habitação, tendo sofrido um aumento de 36,99% no ano. Foi o segundo item com maior participação no aumento dos custos vinculados à habitação. Em todos os meses de 2021, sem exceção, houve aumento dos preços do gás de botijão.

Alimentação

O grupo de Alimentos e Bebidas foi o terceiro grupo que mais pressionou a inflação. As maiores altas vieram do café moído (com 50,24%), da mandioca (aumento de 48,08%) e do açúcar refinado (47,87%). Na média do grupo, alimentos e bebidas tiveram um aumento de 7,94% em 2021, menor do que a variação verificada em 2020, que foi de 14,09%.

Artigos de Residência

O grupo de Artigos de Residência apresentou 12,07% de aumento ao longo de 2021, tornando-se o grupo com a terceira maior variação. Os destaques desse grupo foram os itens de mobiliário (com aumento de 15,73%), eletrodomésticos e equipamentos (com aumento de 13,62%), e produtos de produtos de tv, som e informática (aumento de 10,55%).

Dezembro

No mês de dezembro, os grupos que mais impactaram o IPCA, provocando o aumento de 0,73%, foram os alimentos, transportes e habitação. O grupo de alimentos e bebidas teve aumento de 0,84% no mês. O grupo de transportes registrou aumento de 0,58% e o grupo de habitação teve aumento de 0,74%. Outros grupos tiveram aumentos maiores, mas pesam menos na composição final do IPCA.

Plano Real

No ano de implantação do Plano Real, 1994, a inflação fechou ao nível de 916,43% ao ano. De lá para cá, a inflação caiu significativamente passando para 22,41% ao ano em 1995 e abaixo de 10% nos anos seguintes. O ano passado foi o quarto ano com maior inflação desde 1994. Os outros anos de inflação elevada foram 2002 (12,53%), 2015 (10,67%), além de 1995 (22,41%).

Inflação

A inflação elevada traz grandes problemas, além da óbvia corrosão do poder de compra. Quando os preços variam muito, os agentes econômicos perdem a capacidade de fazer planejamentos de longo prazo, o que afeta a qualidade das decisões e dos investimentos, afetando também a produtividade. Além disso, a inflação acaba atingindo mais os que possuem menos recursos para se defender dela, acabando por elevar a linha de pobreza.

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Estéfano Barioni/ Correio Popular