Publicado 12 de Janeiro de 2022 - 8h57

Por Lourival Longato Junqueira*

O Greak Peak - estância de esqui com teleféricos - é um dos belos passeios em Nova Iorque

Ilustração

O Greak Peak - estância de esqui com teleféricos - é um dos belos passeios em Nova Iorque

Muitos sabem que o estado de Nova Iorque possui uma das populações mais heterogêneas dos EUA, especialmente a cidade de Nova Iorque (The Big Apple), a cidade mais multicultural do mundo. De cada 100 habitantes que moram no estado, 16 nasceram fora do país. A população é de quase 20 milhões de habitantes e somente a cidade de Nova Iorque, tem 8.8 milhões.

O estado é altamente urbanizado e 84% da população vive nas cidades. É uma das principais portas de entrada e saída dos EUA para outros países e um dos principais polos ferroviários e portuários do país.

Sua economia foi duramente atingida pela Grande Depressão, na década de 1930. Nessa época, a taxa de desemprego cresceu 30% ou mais, os salários diminuíram e houve grande deflação de preços – sem contar os efeitos secundários, como a falta de pagamento do aluguel, etc.

Durante o final da década de 1950, Nova Iorque, em um programa conjunto com a província canadense de Ontário, iniciou a construção de várias represas nos rios São Lourenço e Niágara.

Em 1959, o canal marítimo do São Lourenço foi inaugurado, permitindo o trânsito de navios entre o oceano Atlântico e os Grandes Lagos. Na década de 1960, duas grandes rodovias interestaduais foram inauguradas, uma conectando a Pensilvânia com o Canadá, e a outra conectando Albany, a capital do estado, com a província canadense de Quebec.

Na década de 1970, muitas fábricas fecharam, mudando-se para outros estados, como Califórnia e Texas, ou mesmo para outros países de mão de obra barata. Isto causou uma queda na população, porém, novas fábricas, estas geralmente de alta tecnologia, instalaram-se no estado na década de 1980, e a população voltou a crescer novamente, em parte graças à grande imigração de hispânicos e asiáticos no estado.

O interior do estado de Nova Iorque é muito bonito e vale a pena conhecer. Em 1984, a minha esposa e eu morávamos em Vestal, que fica a 4 horas da cidade de Nova Iorque.

De lá, podíamos fazer lindos passeios e contemplar grandes cenários, tais como: Cataratas do Niagara - famosas por sua beleza, bem como uma fonte valiosa de energia hidrelétrica e de preservação ambiental; Finger Lakes - onze lagos que se espalham como dedos, longos e estreitos, indo de norte a sul, com mais de 100 vinícolas; Museu de Corning - o maior acervo de obras em vidro do planeta (tem até múmia egípcia); Watkins Glen - parque nacional com desfiladeiros, cânions e autódromo de Fórmula 1, famoso nas décadas de 1970 e 1980; Montanhas Catskills - os rios Delaware e Hudson são conhecidos pelas desafiantes oportunidades de caiaque e canoagem; Parque Adirondack - uma reserva florestal com 3.200 quilômetros de trilhas de caminhada, dezenas de picos de montanhas e 3.000 lagos e lagoas; Thousand Islands - no Rio São Lourenço, entre os EUA e Canadá, tem vilas ribeirinhas, casas históricas, faróis pitorescos e majestosos castelos no cume das rochas; Greak Peak - estância de esqui com teleféricos.

Este último, guardo uma lembrança um tanto trágica... (Rsrs). Em um dia de muita neve, o plano era a minha esposa e eu subirmos a montanha de teleférico e descermos esquiando (ou tentando esquiar).

Quando chegamos ao alto da montanha, o teleférico já estava fazendo a curva para retornar e nada da esposa saltar da cadeira. Eu tive de empurrá-la e ambos caímos rolando pela neve...

Ela ficou com a perna toda roxa e tivemos de descer a montanha com os esquis nas costas! Fui expulso do Paraíso antes de chegar... (Rsrs). O clima no estado varia muito, de acordo com a região. A temperatura média no inverno é de -10°Cnas Montanhas Adirondack, e -1°C na cidade de Nova Iorque.

A menor temperatura já registrada, sem contar o fator do vento, foi em 18 de fevereirode1979, de -52°C, nos Lagos Fulton, que ficam a 5 horas ao norte do estado. Eu estacionava o meu carro em vagas descobertas no condomínio onde morávamos e tinha dia que precisava procurá-lo em meio à neve quebrando gelo com uma pá.

Dirigir na neve exige muitos cuidados e atenção, devido às condições mais escorregadias das ruas e rodovias. Por duas vezes, eu rodopiei o carro em ruas congeladas, próximas a semáforos.

O maior perigo é o gelo negro (black ice) que se forma nas pontes, porque o ar circula por cima e por baixo de suas superfícies. Em um dia de muita neve, eu saí com a esposa para trabalhar e ao trafegar pela rodovia, o carro rodopiou e parou ao contrário, metade no acostamento e metade na rodovia.

Até aí, nada de anormal, se não fosse um caminhão vindo em minha direção, a 1 km de distância... Uma das coisas que eu tinha aprendido antes foi que, se o carro parasse no sentido da esquerda, tem-se de girar o volante de direção no mesmo sentido da esquerda para que o carro gire para a direita.

Se não fizer isso, ele gira no mesmo sentido em que estava. Em frações de segundos, isso me passou pela cabeça e consegui sair da pista. O caminhão passou por nós e nem brecou, pois, se tivesse brecado, com certeza eu estaria contando esse relato para São Pedro no céu! Ufa, escapamos por um triz!

* Lourival Longato Junqueira é bacharel em Relações Públicas, Jornalismo e Administração de Empresas pela PUC–Campinas

Escrito por:

Lourival Longato Junqueira*