Publicado 04 de Janeiro de 2022 - 9h50

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

Usinas termelétricas

Divulgação

Usinas termelétricas

No dia 21 de dezembro, início do verão no Brasil, realizou-se um leilão de energia de reserva onde usinas geradoras de energia disponibilizaram suas capacidades para contratação a partir de 2026. A energia de reserva é destinada a dar maior segurança ao setor elétrico brasileiro, além da capacidade de geração existente e da energia já contratada.

Termelétricas

Apenas usinas termelétricas participaram deste leilão, uma vez que a natureza deste leilão é justamente fornecer energia para ser utilizada apenas em caso de necessidade adicional (energia de reserva, portanto). Assim, todas as usinas precisam ter a capacidade de produzir sua potência nominal a qualquer momento em que forem solicitadas.

FRASE

"O ponto de partida para a segurança energética hoje, como sempre foi, é a diversificação de suprimentos e fontes".

Daniel Yergin, especialista em energia norte-americano

Fontes Renováveis

Fontes renováveis devem sempre operar na base do sistema, gerando toda a energia que for possível no momento em que há disponibilidade, pois elas praticamente não possuem custo unitário de geração. Uma vez que foram construídas, não é preciso pagar pelo recurso (ventos, luz solar, marés, etc) para operar, portanto as usinas renováveis devem sempre ser as primeiras a gerar, entregando toda a eletricidade possível.

Fontes Renováveis 2

Além disso, como as usinas renováveis se baseiam em recursos naturais intermitentes, que não são controlados e nem podem ser estocados, precisam gerar o máximo disponível a cada instante, caso contrário o recurso é desperdiçado. Ou a energia é gerada naquele instante, ou se perde a chance de gerar energia. Assim, as fontes renováveis não funcionam como energia de reserva.

Potência Contratada

O leilão de reserva garantiu a contratação de 4,6 GW em disponibilidade. Para efeitos de comparação, o sistema elétrico nacional possui uma capacidade de geração total de cerca de 180 GW. Dessa forma, a potência contratada no último leilão equivaleria a 2,5% de toda a capacidade de geração atualmente instalada.

Prazos

Os contratos têm 15 anos de duração, indo de julho de 2026 a junho de 2041. Portanto, esses contratos não irão contribuir para aumentar a segurança do fornecimento de eletricidade no curto prazo, mas apenas a partir de 2026. Além disso, o custo dessa energia de reserva é elevado, assim como é o custo das termelétricas acionadas atualmente.

Custo Fixo

Dezessete usinas tiveram suas disponibilidades contratadas, com valor de investimento total aproximado de R$ 6 bilhões. Essa contratação terá um custo fixo de quase R$ 3,5 bilhões anuais, corrigidos pelo IPCA. Esse valor será arcado pelo consumidor de energia, através da conta de luz, e se refere apenas à disponibilidade. Em caso de necessidade de geração, outros custos serão cobrados.

Custo da Geração

Os custos de geração variam de usina para usina, partindo de R$ 210,00 até R$ 2.050,45 por MWh gerado. O valor médio de contratação obtido no leilão foi de R$ 671,06/MWh, lembrando que esse valor se refere apenas aos custos unitários de geração. A remuneração do investimento será totalmente coberta pela remuneração fixa das usinas, existindo ou não geração.

Combustíveis

As termelétricas a gás natural foram as principais vencedoras do leilão de reserva, arrematando 81% da potência negociada. Também serão utilizados nas usinas o óleo combustível (16%), o óleo diesel (2%) e o bagaço de cana (1%). O gás natural a ser utilizado nas termelétricas contratadas será importado na forma de gás natural liquefeito (GNL) e regaseificado em terminais de importação.

Matriz Elétrica

Com a realização do leilão de reserva, o sistema elétrico brasileiro se torna mais robusto, com maior segurança de abastecimento a partir de 2026. Em contrapartida, a energia ficará mais cara pois o custo do leilão foi elevado. Além disso, a matriz elétrica brasileira torna-se mais poluente, dependendo mais de combustíveis fósseis importados. Será que valeu a pena?

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Estéfano Barioni/ Correio Popular