Publicado 22 de Dezembro de 2021 - 8h38

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

Uma parte relevante de países já está com o PIB em valores superiores à média de 2019

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Uma parte relevante de países já está com o PIB em valores superiores à média de 2019

Apesar das incertezas trazidas pela variante Ômicron do coronavírus, com ameaças de novos fechamentos na Europa, a economia mundial segue em uma trajetória de recuperação. Uma parte relevante de países já está com o PIB em valores superiores à média de 2019, descontada a inflação. Entre esses países pode-se citar os Estados Unidos, China, Índia e até o Brasil.

Recuperação Econômica 2

Conforme a recuperação se consolida, as medidas de estímulo à economia ao redor do mundo vão sendo reduzidas. No entanto, com a ameaça da nova variante do coronavírus e maiores restrições à mobilidade já anunciadas em alguns países europeus, as previsões para o crescimento ainda dependerão da evolução da pandemia.

FRASE

"O objetivo final da economia, é claro, é compreender e promover a melhoria do bem-estar."

Ben Bernanke, ex-presidente do FED.

Estados Unidos

A recuperação da economia norte-americana prossegue, ainda ajudada por alguns estímulos monetários. Por lá, o mercado de trabalho mantém a recuperação e a taxa de desemprego recuou a 4,6%. Apesar de baixo para os padrões brasileiros a que infelizmente nos acostumamos, esse valor ainda está acima da taxa de desemprego americana do período pré-pandemia, que era de cerca de 3,5%.

Europa

Na Europa, a atividade econômica também se encontra em expansão, especialmente puxada pela recuperação do setor de serviços e melhora do mercado de trabalho. No entanto, o risco de novos fechamentos e a inflação acelerando nessa região coloca em risco um avanço mais amplo da recuperação econômica.

China

A China teve uma notável recuperação econômica após a pandemia, retomando o crescimento vigoroso durante o primeiro semestre de 2021. Apesar disso, no segundo semestre o crescimento econômico chinês teve forte desaceleração, devido a restrições na oferta de energia, maiores restrições às indústrias poluentes e dificuldades financeiras enfrentadas por diversas incorporadoras imobiliárias de grande porte.

China e Brasil

O pior desempenho da economia chinesa coincide (e não é mera coincidência) com a piora no humor do mercado brasileiro no segundo semestre. O menor ritmo de crescimento chinês afeta a economia brasileira, pois a China é o maior parceiro comercial do Brasil, comprando grande parte das commodities produzidas aqui.

Inflação Global

O mundo todo sofre com o aumento da inflação, provocada especialmente pela alta dos produtos energéticos (petróleo, gás natural e eletricidade), elevação dos preços dos alimentos e também pelo desarranjo das cadeias globais de fornecimento, que provoca desencontros entre oferta e demanda. Esses fenômenos são globais, mas em alguns países os efeitos são potencializados.

Países Emergentes

No caso dos países emergentes, além das pressões inflacionárias devido aos preços da energia, dos alimentos e falta de produtos por dificuldades logísticas e desarranjos da oferta, também ocorreu a desvalorização da moeda local. Esses efeitos foram particularmente relevantes em nosso país, com o Real sofrendo uma enorme desvalorização. Entre os emergentes, apenas Turquia e Argentina estão com inflação maior do que o Brasil.

Países Emergentes 2

Além de mais expostos à inflação por causa da desvalorização de suas moedas, os países emergentes também possuem menos espaço fiscal para sustentar políticas de estímulo à atividade econômica. No caso brasileiro, a política fiscal segue ainda como uma ameaça à estabilidade econômica, com a deterioração das contas públicas e perda da sustentabilidade fiscal no longo prazo abalando a confiança de investidores e consumidores.

Crescimento

Ainda existe muita incerteza sobre as perspectivas para a economia em 2022. São diversos os fatores que impactarão o crescimento, a taxa de câmbio, a inflação e a geração de empregos, produzindo efeitos no dia a dia das pessoas. Alguns desses fatores são externos. Outros são produzidos internamente. É necessário que o processo de ajustes e reformas da economia brasileira avance, para garantir um crescimento sustentável.

Uma parte relevante de países já está com o PIB em valores superiores à média de 2019

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Estéfano Barioni/ Correio Popular