Publicado 18 de Dezembro de 2021 - 10h50

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

O preço do minério de ferro tem oscilado de maneira muito intensa ao longo dos últimos meses

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O preço do minério de ferro tem oscilado de maneira muito intensa ao longo dos últimos meses

O preço do minério de ferro tem oscilado de maneira muito intensa ao longo dos últimos meses. Em maio do ano passado, a tonelada do minério de ferro estava cotada a 84 dólares, um valor compatível com a oscilação do minério nos três anos anteriores. Com a pandemia e toda a perturbação que esta causou nos mercados em termos de produção e logística, o preço do minério de ferro chegou a quase 230 dólares em maio deste ano.

Oscilação de Preços

Entre maio de 2020 e maio de 2021, em apenas doze meses, o preço do minério de ferro registrou um aumento de 173%. Com algumas variações, esse patamar de preço manteve-se até meados de julho deste ano. Depois disso, a China passou a reduzir as compras do minério, fazendo com que o preço internacional caísse. A China é de longe o maior importador mundial de minério de ferro.

FRASE

"O desenvolvimento sustentável é o caminho para o futuro que desejamos para todos."

Ban Ki-Moon, ex-Secretário Geral das Nações Unidas

Oscilação de Preços 2

Desde o pico de 230 dólares por tonelada, registrado em maio deste ano, o preço do minério de ferro recuou novamente para 85 dólares, em meados de novembro, e atualmente se encontra por volta de US$ 108. A queda afeta o valor das exportações brasileiras. Em 2020, o minério de ferro foi o terceiro produto mais exportado pelo Brasil.

Exploração do Minério

Quase todo o minério de ferro exportado pelo Brasil é explorado pela Vale, na Serra dos Carajás, estado do Pará. Nessa região, em meio à floresta amazônica, o minério de ferro é encontrado com alto teor de pureza e praticamente ao nível do solo, o que reduz os custos de exploração. É uma atividade extrativista quase pura, com pouco beneficiamento do minério.

Ações da Vale

Acompanhando a valorização do minério de ferro (e depois sua desvalorização), as ações da Vale também oscilaram nos últimos dois anos. Junto com o preço do minério de ferro, as ações da Vale saltaram de R$ 50 em maio do ano passado para alcançar R$ 115 em maio deste ano (130% de valorização). Com a posterior queda do minério, as ações da empresa recuaram a R$ 70 e hoje estão cotadas em torno de R$ 80.

Ibovespa

A Vale sozinha corresponde a 12,9% da composição atual do Ibovespa. É a empresa com maior peso individual na composição do Ibovespa, ficando à frente de Petrobras (11,8%), Itaú (5,1%) e Bradesco (4,7%). Portanto, é claro que os resultados da Vale produzem um impacto sobre o Ibovespa, mas não servem como única explicação para o fraco desempenho do índice no segundo semestre.

Impactos

A desvalorização do minério de ferro no mercado mundial tem como efeitos diretos a redução do valor de uma parte significativa das exportações brasileiras, além da desvalorização da empresa de maior participação no índice da bolsa de valores de São Paulo. No entanto, não se pode dizer que que a queda nos preços do minério seja uma tragédia.

Mercado Interno

Talvez a maior tragédia seja a exploração indiscriminada de nossos recursos naturais e minerais, em uma atividade que promove a exportação desses recursos em estado quase bruto, com baixíssimo valor agregado, sem a geração de desenvolvimento e de riquezas para o Brasil. Em um modelo econômico quase colonial, vendemos matéria prima para depois importarmos equipamentos e tecnologia.

Serra do Navio

Já tivemos vários exemplos dos resultados desse tipo de exploração. Na década de 1940 foram descobertas riquíssimas reservas de manganês na Serra do Navio, no Amapá. A exploração desse metal, essencial para a fabricação de ligas metálicas, ocorreu a todo vigor. Certamente um vigor exagerado, pois a reservas se esgotaram antes do previsto.

Desenvolvimento

No início da década de 1990, as atividades de exploração do manganês na região já davam claros sinais de exaustão e em 1997 toda a atividade de mineração foi interrompida for falta de material a explorar. Foi-se embora o manganês, não houve nenhum desenvolvimento local e restaram apenas os danos ambientais de quase 50 anos de atividade extrativista. Esse não é o modelo de desenvolvimento que devemos adotar.

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Estéfano Barioni/ Correio Popular