Publicado 25 de Novembro de 2021 - 8h48

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

Um acordo internacional entre alguns dos maiores consumidores internacionais de petróleo poderá mexer com os preços do petróleo

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Um acordo internacional entre alguns dos maiores consumidores internacionais de petróleo poderá mexer com os preços do petróleo

Um acordo internacional entre alguns dos maiores consumidores internacionais de petróleo, Estados Unidos, Japão, China, Coréia do Sul, Índia e Reino Unido, poderá mexer com os preços do petróleo. Liderados pelos Estados Unidos, esses países concordaram em utilizar suas reservas estratégicas para fazer com que os preços internacionais do petróleo caiam.

Petróleo 2

No começo da semana, o Japão já havia anunciado que passaria a utilizar essa estratégia, injetando parte de suas reservas no mercado de modo a contribuir para segurar os preços do petróleo. Logo depois, no final da terça-feira, os Estados Unidos tomaram a frente para liderar esta aliança de países consumidores.

FRASE

"Hoje estamos lançando um grande esforço para moderar o preço do petróleo, um esforço que abrangerá todo o globo e, por fim, chegará ao seu posto de gasolina.”

Joe Biden, presidente norte-americano

Aliança Inédita

É a primeira vez que algo assim acontece. Os países produtores de petróleo se organizam em um cartel deste a década de 1960, quando a OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo – foi fundada. Sob este cartel, os países produtores já coordenaram ações que provocaram aumentos repentinos nos preços do petróleo, como nos choques de 1973 e 1979. Mas é a primeira vez que os países consumidores realizam uma ação coordenada.

Objetivo

O objetivo final dos países é deter a inflação que sobe em quase todo o mundo. Desde o começo do ano, na esteira da reabertura econômica das principais potências mundiais, o preço do barril de petróleo teve um aumento de 70%, passando de 50 dólares no começo do ano para alcançar 85 dólares no final do mês de outubro.

Inflação

Com o petróleo mais alto, não são apenas os preços dos combustíveis que ficam mais caros ao consumidor final. Existem aumentos em cascata em toda a cadeia produtiva, devido ao encarecimento dos fretes de matérias primas e de mercadorias, e também devido ao impacto direto em todos os processos produtivos que utilizam derivados de petróleo como insumos. Mais oferta, preços menores. Ao utilizar suas reservas estratégicas para abastecer o mercado, a ideia dos países consumidores liderados pelos Estados Unidos é fazer com que os preços caiam no mercado, por conta do aumento da oferta de petróleo. No curto prazo, maior oferta significa um produto menos escasso, e o equilíbrio de mercado é deslocado para um nível de preço mais baixo.

Efeitos de Curto Prazo

Na prática, este acordo entre países consumidores deve ajudar a fazer o petróleo ter alguma queda de preço no curto prazo, mas nada muito significativo. Não será nada capaz de fazer o preço do petróleo recuar para os níveis pré-pandemia, na faixa dos 60 dólares. O fato é que o poder de barganha dos países consumidores é muito baixo.

Dependência

A economia internacional é fortemente dependente de petróleo e isso não se muda da noite para o dia. Do outro lado, são poucos os países produtores de petróleo, cujo volume de produção é de fato capaz de influenciar o mercado em termos de preços e quantidades negociadas. Desse modo, esses países acabam controlando o mercado.

Dependência 2

Além disso, a Opep toma o cuidado de não deixar que os preços do petróleo subam demais e faz isso com o objetivo de sistematicamente desestimular qualquer investimento em tecnologias alternativas. Logo que os Estados Unidos começaram a investir no gás de xisto, a Opep aumentou a produção, fazendo com que os preços caíssem e o gás de xisto se tornasse pouco atrativo.

No Brasil

No Brasil, os efeitos dessa aliança de consumidores no mercado internacional de petróleo demorarão a ser sentidos, especialmente nas bombas de combustível. A Petrobras adota a política de paridade com os preços internacionais do petróleo, mas não realiza os repasses imediatamente. O mais provável é que os preços apenas parem de subir. E isso já é alguma vantagem.

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Estéfano Barioni/ Correio Popular