Publicado 24 de Novembro de 2021 - 8h48

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

Alguns investimentos podem ser realizados ou adiados

Divulgação

Alguns investimentos podem ser realizados ou adiados

As projeções para o crescimento do país não são um mero exercício de adivinhação. As projeções realizadas pelas instituições financeiras para a economia (incluindo o crescimento do PIB, a inflação, a taxa de juros, etc.) são balizadoras de importantes decisões dos agentes econômicos como, por exemplo, as decisões de investimentos do setor privado.

Investimento

Investimentos na expansão da capacidade produtiva, como a construção de novas fábricas, podem não ser justificados em cenários de baixo crescimento econômico, em que as vendas crescem em ritmo baixo. De acordo com as expectativas para o crescimento econômico, alguns investimentos podem ser realizados ou adiados. Por isso as projeções importam.

FRASE

"Se você precisa fazer previsões, faça frequentemente.”

Edgard Fiedler, economista norte-americano

IBC-Br

Na semana passada, o Banco Central divulgou o IBC-Br do mês de setembro. O IBC-Br é o Índice de Atividade Econômica, calculado pelo Banco Central do Brasil. Este índice mede a evolução da atividade econômica no país, a partir de valores agregados, assim como o PIB. Por esta razão é frequentemente entendido como uma espécie de prévia do PIB, uma vez que o IBC-Br é divulgado mensalmente enquanto a divulgação do PIB é trimestral.

IBC-Br 2

No mês de setembro, o IBC-Br registrou variação de -0,27% em relação a agosto, na série dessazonalizada (ou seja, livre de efeitos temporários ou típicos de determinadas estações). Nos últimos 12 meses, comparando com setembro de 2020, o IBC-Br acumula alta de 1,93%. Já no acumulado deste ano, o índice apresenta crescimento de apenas 0,21%.

Economia Desacelerando

Reduzindo ainda mais o horizonte de tempo e verificando a evolução do IBC-Br nos últimos três meses (julho, agosto e setembro), verifica-se uma retração de -0,43%. Os seja, a economia está claramente desacelerando, acentuando ainda mais a retração já capturada pelo PIB do segundo trimestre, que foi 0,1% menor do que o PIB verificado no primeiro semestre de 2021.

Projeções do PIB

O mercado rebaixou a expectativa para o crescimento do PIB de 2021 para 4,8%. Foi a sexta semana consecutiva de queda na projeção. O valor de 4,8% pode parecer uma boa taxa de crescimento, mas isso é devido ao baixo nível de atividade econômica de 2020, por conta da pandemia. Na verdade, estimar 4,8% para o crescimento deste ano significa estimar que o Brasil não irá crescer nada (0%) no segundo semestre de 2021.

Projeções do PIB 2

Para 2022, as expectativas dos agentes financeiros para o crescimento brasileiro também não são animadoras. O mercado rebaixou a expectativa para o crescimento do PIB pela sétima semana consecutiva. Agora, a média do mercado projeta um crescimento de apenas 0,7% para o ano que vem. Nesse cenário, teríamos um crescimento acumulado de pífios 0,7% em 18 meses.

Fatores

Os motivos para o atual pessimismo são três: inflação alta, taxas de juros altas para segurar a inflação, e descontrole fiscal do governo ajudando a alimentar a inflação. Para completar, no ano que vem teremos eleições, o que certamente não irá estimular o governo a perseguir metas de responsabilidade fiscal.

Resultado Primário e Inflação

O resultado primário deste ano está projetado em -0,7% do PIB e para o ano que vem em -1,20% do PIB. A expectativa é que o governo continue gastando mais do que arrecada. A projeção para a inflação deste ano foi elevada pela 33ª semana consecutiva e agora a expectativa é que o IPCA termine o ano ao nível de 10,12% (apenas um pouco abaixo do nível atual).

Juros Altos

O mercado está projetando que a taxa Selic será elevada para 9,25% na última reunião do Copom deste ano e termine o ano de 2022 a 11,25%, depois de ultrapassar o nível de 12% no primeiro trimestre. Os juros altos também influenciam no baixo crescimento pois encarem os prêmios de risco para a realização de investimentos produtivos. As projeções definitivamente não indicam um caminho fácil para os próximos meses.

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Estéfano Barioni/ Correio Popular