Publicado 14 de Novembro de 2021 - 10h13

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

COP26 reúne líderes mundiais

Reuters/ Yves Herman

COP26 reúne líderes mundiais

A 26ª conferência das nações sobre mudanças climáticas, a COP-26, terminou nesta sexta-feira na Escócia. Depois de duas semanas de eventos, discussões e negociações, alguns avanços foram feitos, mas ainda é longo o caminho a percorrer no combate às mudanças climáticas. Uma das questões mais importantes diz respeito ao financiamento das medidas que serão necessárias para atingir a meta de zero emissões.

Emissões Zero

Para combater as mudanças climáticas, será necessário investir muito dinheiro, modificando praticamente todas as atividades produtivas atuais, pois todas elas são emissoras de CO2. Para interromper o processo de aquecimento global, é preciso zerar as emissões líquidas (ou seja, igualar aquilo que se emite ao que se captura), pois uma vez emitidas, as moléculas de CO2 permanecem na atmosfera por um longo tempo.

FRASE

"As pessoas não cortam árvores por maldade, mas sim quando têm mais incentivos para

cortá-las do que para deixá-las onde estão."

Bill Gates, magnata e filantropo norte-americano

Nova economia

Todas as atividades produtivas são emissoras de CO2: desde os nossos meios de locomoção e transporte de mercadorias (pela queima de combustíveis fósseis), até a forma como produzimos alimentos (a produção de fertilizantes é grande emissora de CO2), como moramos (produção de cimento também emite quantidades muito grandes de CO2) e geramos energia (emitimos CO2 a cada kWh gerado a partir de fontes não renováveis).

Nova economia 2

Muito investimento será necessário para reformular toda a economia mundial, buscando novos produtos, novas rotas tecnológicas e novas maneiras de desenvolver as atividades econômicas, emitindo menos CO2. Além disso, para compensar as emissões que sobrarem, será necessário mais investimento para promover o reflorestamento em grande escala. O reflorestamento atualmente é o método mais eficaz de capturar e retirar CO2 da atmosfera.

A conta

O grande questão é: para quem ficará a conta do investimento necessário? É justo que o investimento seja realizado especialmente pelos países desenvolvidos, que mais poluíram no passado, se desenvolvendo às custas do uso de fontes de energia baratas e poluidoras, como o carvão. Esses países se beneficiaram com a poluição que produziram, emitindo muitas toneladas de CO2 em seu processo de desenvolvimento e enriquecimento.

A parte do Brasil

O Brasil, atualmente, aparece no 12° lugar no ranking de maiores emissores mundiais de CO2, respondendo por pouco menos de 1,5% de todas as emissões anuais. A maior parte de nossas emissões ocorrem pelas queimadas e desmatamento. Quando uma árvore é queimada, quase todo o carbono contido na madeira é liberado para a atmosfera na forma de CO2.

Desmatamento

O Brasil abriga a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia. Até o ano passado, um total de quase 730 mil km² da Amazônia já foi desmatado, segundo os dados oficiais do Inpe. Essa é uma área equivalente a três vezes o Estado de São Paulo. Além disso, 40% desse desmatamento (equivalente a 1,2 vezes o Estado de São Paulo) aconteceu nos últimos 20 anos, diante de nossos olhos.

Contribuição

A maior contribuição do Brasil para combater as mudanças climáticas é a redução expressiva do desmatamento. E o Brasil deveria tomar ações muito efetivas nesse sentido, pois a Amazônia é muito mais valiosa enquanto floresta do que área desmatada. A floresta Amazônica traz mais benefícios para o Brasil do que para o mundo, pela sua diversidade biológica e pela regulação do regime de chuvas em nosso País.

Fundo Amazônia

Criado em 2008, o Fundo Amazônia é mantido por doações do governo da Noruega (principalmente) e da Alemanha para financiar medidas de combate ao desmatamento, que vão desde investimento na fiscalização até a criação de mecanismos para incentivar a proteção da floresta. Até hoje, R$ 3,4 bilhões já foram injetados nesse fundo. No entanto, desde maio de 2018, o fundo não recebe novas doações por conta do aumento do desmatamento. Para pleitear recursos, é preciso que o Brasil também faça a sua parte.

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Estéfano Barioni/ Correio Popular