Publicado 14 de Outubro de 2021 - 8h59

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

Todos os dias, somos bombardeados com dezenas de informações e notícias, muitas delas utilizadas para moldar discursos transvestidos de verdades absolutas cujo único fim é atender aos objetivos do enunciador. Nesses momentos, é indispensável se ater a fontes confiáveis de notícias, como o Correio Popular. Além disso, é muito recomendável observar os fatos e os números objetivos.

Crise econômica

Por exemplo, buscam-se culpados para o atual momento de dificuldades econômicas que o Brasil está enfrentando, com inflação acelerada, elevado número de desempregados, e com a fome e a pobreza atingindo um número cada vez maior de pessoas.

De quem seria a culpa? Da pandemia, do governo federal, dos governadores estaduais, do petróleo, do dólar, ou da China?

FRASE

"Economia, política e personalidades são frequentemente inseparáveis."

Charles Edison, ex-político norte americano

Crise econômica 2

Assim como é dito que um avião nunca cai por apenas uma razão isolada, na economia também os grandes eventos acontecem por uma conjunção de diversos fatores. Esses fatores se somam e se influenciam, contribuindo para produzir o efeito final. Mas por meio de uma análise objetiva, baseada em números e fatos, é possível ter uma visão clara de quais fatores contribuíram mais.

Inflação

Um grande problema do empobrecimento é a inflação. A disparada nos preços de commodities e insumos está provocando inflação em todo o mundo. É verdade, mas olhando os números, percebemos que a inflação no Brasil está mais acentuada. Já temos mais de 10% de inflação, ao passo que grandes consumidores de commodities como Estados Unidos e Europa estão com inflação de 5% e 2,5% respectivamente.

Alta do petróleo

Um dos culpados da inflação é a alta do petróleo no mercado internacional, que pressiona o custo dos combustíveis, encarecendo o frete e os produtos em geral. É verdade. O barril do petróleo já subiu 43% desde 1° de janeiro de 2019 e esse aumento foi repassado aos consumidores brasileiros. Na região de Campinas, a gasolina teve seus preços médios ao consumidor final aumentados em 44% desde essa mesma data.

Alta do dólar

A crise sanitária fez os investidores internacionais buscarem ativos mais seguros, o que provocou a desvalorização das moedas de países emergentes. Isso também é verdade, mas nem todos os emergentes perderam tanto quanto o Brasil. O real já perdeu 48% de seu valor frente ao dólar desde 1° de janeiro de 2019. Entre os emergentes, apenas o peso argentino e a lira turca tiveram desvalorizações maiores que o real.

Pandemia

A pandemia de covid-19 é simplesmente o maior desafio enfrentado pela humanidade neste século e abalou profundamente a economia mundial. Não há dúvidas disso. Mas alguns países enfrentaram melhor do que outros a emergência da covid-19. O Brasil foi provavelmente o país que pior enfrentou a crise sanitária. A prova disso são os números.

A pandemia 2

Com 213 milhões de habitantes, o Brasil possui 2,7% da população mundial. Na semana passada, o Brasil ultrapassou a triste marca de 600 mil mortes causadas diretamente pela covid-19. Entre as vítimas fatais de covid-19 no mundo, os brasileiros representam 12,3%. Essa desproporção é a evidência mais clara do fracasso no enfrentamento da crise.

A pandemia 3

Seria um milagre se a economia brasileira passasse sem sofrer danos frente a um fracasso desses. Em vez de investir na ciência, na vacinação, no uso de máscaras e outras medidas de contenção da pandemia enquanto era tempo, nosso presidente fez o contrário, defendendo propostas absurdas, tratamentos sem comprovação científica, fazendo pouco da mais grave crise de saúde do século.

Os números

De cada 1.000 pessoas no mundo, 27 são brasileiros. De cada 1.000 mortos por covid-19 no mundo, 123 são brasileiros. Esses são os fatos. Incompetência, despreparo e arrogância nos levaram a essa tragédia, humana e econômica. A causa de nosso fracasso tem nome e sobrenome. Todo o resto são desculpas e tentativas de "construir narrativas" para se isentar da responsabilidade.

Escrito por:

Estéfano Barioni/ Correio Popular