Publicado 14 de Setembro de 2021 - 8h52

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

Na semana passada, o Banco Central Europeu decidiu não alterar a sua política monetária, mantendo os juros da zona do Euro nos níveis atuais, que são também os mais baixos desde a fundação do BCE, em 1° de junho de 1998. As taxas de juros na zona do Euro estão no patamar de 0% ao ano desde o início de 2016.

Estímulos monetários

Manter os juros em níveis tão baixos fornece estímulos à atividade econômica, pois as pessoas não têm incentivos para manter o dinheiro guardado, uma vez que a remuneração é quase nula. Assim, o consumo é incentivado, aquecendo a economia. Além disso, com os juros de referência em níveis muito baixos, o crédito também se torna mais barato, estimulando ainda mais o consumo.

FRASE

"A estabilidade dos preços é a melhor contribuição que a política monetária pode dar para o crescimento econômico."

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu

Títulos nacionais

Os países da zona do Euro também emitem seus próprios títulos de dívida nacionais e a média das taxas de juros praticadas converge para os 0% definidos pelo Banco Central Europeu, apesar de os títulos nacionais terem suas próprias taxas de juros. O valor da taxa de juros praticada por cada país depende da solidez e de outras características individuais da economia nacional.

Títulos nacionais 2

Algumas economias estão pagando juros baixos, mas positivos, como é o caso da Itália (+0,63% ao ano), Grécia (+0,59% a.a.), Malta (+0,44% a.a.) e Espanha (+0,21% a.a.). Por outro lado, outras economias europeias chegam a ter taxas de juros negativas como acontece na Alemanha (-0,54% ao ano), Holanda (-0,48% a.a.), Luxemburgo (-0,47% a.a.) e Áustria (-0,23% a.a.).

Rendimentos

As taxas acima são referentes a títulos da dívida com 10 anos de vencimento. Isso significa que, um cidadão europeu que mantivesse 10.000 euros investidos em um título da dívida italiana (+0,63% ao ano), resgataria 10.648 euros no vencimento. Outro cidadão que investisse 10.000 euros em um título da dívida alemã (-0,54% ao ano), resgataria 9.473 euros no vencimento.

Juros negativos

A princípio, pode parecer absurda a oferta de taxas negativas de juros, como a praticada pelo Banco Central Alemão, pois quem iria procurar esses títulos de investimentos? No entanto, ocorre que a procura por títulos da dívida alemã não cai a zero, e muitos investidores continuam comprando os títulos, mesmo com a certeza de obter rendimentos negativos.

Investimento pessoal

Na lógica do investidor pessoal, esse tipo de investimento não faria o menor sentido. Uma coisa é fazer um investimento de risco, como no mercado de ações, e acabar tendo perdas. Isso faz parte do risco assumido. Mas quem iria fazer um investimento hoje tendo a certeza de receber menos do que o valor investido no futuro? Seria melhor deixar o dinheiro guardado embaixo do colchão.

Investimento institucional

Acontece que a situação é diferente para investidores institucionais. Esses investidores possuem milhões em recursos que não podem ficar "embaixo do colchão". Não é possível manter esses recursos em espécie. Esses investidores também não podem investir apenas em ativos de risco, pois poderiam ter perdas bem maiores do que os -0,54% ao ano, que são garantidos no fim das contas.

Redução de estímulos

Apesar da manutenção da atual política de juros europeia, o comunicado emitido pelo Banco Central Europeu indica que o BCE tem intenção de diminuir o ritmo de compras de títulos de dívidas dentro do Programa Emergencial de Compras da Pandemia (PEPP, na sigla em inglês). Ao comprar os títulos, o BCE injeta recursos na economia, estimulando a atividade econômica.

Contas em dia

Essa redução poderia começar a partir de março de 2022, evitando uma política restritiva muito rápida. Tudo dependerá das condições do mercado. A inflação prevista para a zona do Euro é de 2,2% em 2021 e de 1,7% para 2022, enquanto o crescimento está projetado para 5% em 2021 e 4,6% para 2022. Manter a casa em ordem e as contas em dia é fundamental para permitir que sejam dados os incentivos econômicos necessários nos momentos adequados.

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Estéfano Barioni/ Correio Popular