Publicado 11 de Setembro de 2021 - 10h47

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

Há exatos 20 anos, acontecia o maior atentado terrorista em solo norte-americano. Aviões comerciais sequestrados por terroristas da Al-Qaeda foram lançados sobre as torres do World Trade Center e sobre o Pentágono, causando a morte de cerca de 3 mil pessoas e a destruição completa das torres gêmeas.

Mudanças no mundo

O evento mudou, definitivamente, a geopolítica do mundo, trazendo impactos irreversíveis não só na forma como as viagens aéreas são realizadas e nos protocolos de segurança envolvidos, mas principalmente remodelando as relações internacionais e as leis de imigração. O mundo tornou-se mais fechado e hostil. Globalização válida apenas para mercadorias e capitais, mas não

para pessoas.

FRASE

"O incêndio de 11 de setembro continua a queimar.”

Adil Najam, reitor da escola de estudos globais Frederick S. Pardee

Na economia

Do ponto de vista econômico, muitas coisas mudaram também. Após o 11 de setembro, os Estados Unidos empreenderam uma guerra ao terrorismo que consumiu algo em torno de US$ 8 trilhões. Com o final da guerra-fria, o orçamento do Departamento de Defesa norte-americano vinha sendo reduzido ao longo dos anos 90. Mas os atentados terroristas mudaram essa tendência.

Orçamento militar

Após o 11 de setembro, o orçamento de defesa disparou e o aumento no gasto militar dos Estados Unidos superou em mais de cinco vezes os acréscimos nos gastos com educação, saúde, ciência e infraestrutura de transporte. Esse aumento repentino de gastos mudou a economia, não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo, produzindo efeitos em cascata.

Crescimento acelerado

A despesa militar em expansão jogou “gasolina na fogueira” do crescimento mundial. O mundo experimentou um boom nos preços das commodities, que beneficiou os países exportadores, como o Brasil. O ciclo de crescimento iniciado em 2000 passou a ser muito acelerado. Provavelmente, acelerado até demais. Alguns analistas relacionam a bolha imobiliária de 2008 com extraordinários gastos militares dos anos anteriores.

Cotações em 2001

No Brasil, muita coisa também mudou nos aspectos econômicos. Em setembro de 2001, o Ibovespa estava cotado a 10.700 pontos; hoje está na faixa dos 115 mil. O dólar era cotado a R$ 2,60, o que era considerado caro, pois o câmbio tinha iniciado aquele ano abaixo de R$ 2,00. E o euro estava cotado a R$ 2,34, ou seja, abaixo do valor da cotação do dólar naquele momento.

Em Brasília

Em 2001, o presidente era Fernando Henrique Cardoso. O ministro da Fazenda era Pedro Malan e Armínio Fraga presidia o Banco Central. Jair Bolsonaro estava no meio de seu terceiro mandato como deputado federal (seriam ao todo seis mandatos consecutivos até a eleição para a Presidência da República).

Inflação e PIB

O IPCA acumulado de setembro de 2001 até hoje fica em torno de 230%. Pelo IGP-M, o acúmulo é ainda maior, chegando a 415%. O PIB per capita brasileiro era de R$ 7.425,00 por habitante (que seriam equivalentes hoje a R$ 24.460,00 se corrigidos pela inflação do IPCA). Atualmente, o PIB per capita brasileiro é de R$ 35.040,00 por habitante. Houve crescimento equivalente a 1,81% ao ano em termos reais, ao longo dos 20 anos do período.

Salário e gasolina

Em setembro de 2001, o salário mínimo era R$ 180,00. Em valores atualizados pela inflação acumulada pelo IPCA, esse salário mínimo equivaleria hoje a cerca de R$ 600,00. Naquele mês, nos postos de Campinas, o etanol era vendido R$ 0,86/litro (equivalentes a R$ 2,84 hoje) e a gasolina era vendida a R$ 1,62/litro (R$ 5,35 em valores atuais).

Racionamento de energia

Mas nem tudo mudou tanto assim. Em setembro de 2001, o Brasil atravessava um período de crise energética, com racionamento de eletricidade, pois o pouco volume de chuvas do verão foi insuficiente para reabastecer os reservatórios das hidrelétricas. Também contribuía para a crise a falta de investimento na capacidade de transmissão e na expansão do parque gerador a partir de fontes alternativas de energia.

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Estéfano Barioni/ Correio Popular