Publicado 09 de Setembro de 2021 - 9h08

Por Delfin

Já vão quase três décadas desde o grande evento que marcou os quadrinhos dos anos 1990. E não foi nenhuma das famosas “crises” da DC, nem uma das “guerras secretas” da Marvel. Apesar de a segunda editora estar ligada de modo intrínseco a ele: o chamado X-odo, que culminou na saída de sete dos maiores criadores da Casa das Ideias, devido ao pagamento insuficiente de royalties por seus trabalhos, que chegavam à marca das centenas de milhares de títulos vendidos a cada mês.

Você conhece a maioria desses nomes: Todd McFarlane, Jim Lee, Rob Liefeld, Marc Silvestri, Erik Larsen, Jim Valentino e Whilce Portacio. E você deve lembrar também o que aconteceu: a Marvel iniciou um processo de derrocada que quase a levou à falência e, na outra ponta, foi fundada a editora paladina dos direitos dos autores: a Image Comics.

Um sonho, uma promessa: a Image nunca seria proprietária dos trabalhos de nenhum criador, mas, sim, os próprios criadores seriam os donos de suas criações. Além do mais, mesmo unidas sob uma mesma bandeira editorial, cada quadrinista criaria seu próprio estúdio e, devido a isso, nenhum outro criador da Image poderia interferir em trabalhos alheios ao seu próprio estúdio.

Por cinco anos, esse sonho permaneceu praticamente intacto, salvo arranhões do capitalista mais selvagem do grupo (McFarlane), que arrumou tretas com o rei dos quadrinhos independentes à época, o canadense Dave Sim, e com um ainda ascendente Neil Gaiman, com o qual travou algumas brigas judiciais que duraram décadas (as quais, é bom que se diga, perdeu). Mas as saídas de Marc Silvestri e Rob Liefeld do grupo marcaram o final da era de ouro da editora.

No entanto, muitos criadores acreditaram na ideia e, embora não sendo sócios-fundadores da Image, criaram e levaram seus estúdios para dentro do guarda-chuva editorial. O selo Cliffhanger, associado ao estúdio de Jim Lee, impulsionou as carreiras de J. Scott Campbell (Danger Girl) e Humberto Ramos (Crimson) e foi o primeiro grande sucesso comercial inteiramente gerado dentro da editora.

Outros títulos surgiram e se tornaram arrasa-quarteirões do mercado editorial. O maior de todos os criadores dessa fase da editora foi Robert Kirkman, conhecido globalmente por suas criações Invencível e The Walking Dead. Isso abriu as portas da editora, no fim da década de 2000, para obras diversas e premiadas como Fatale (de Ed Brubaker e Sean Philips), Monstress (de Marjorie Liu e Sana Takeda) e Saga (de Brian K. Vaughn e Fiona Staples).

A recente onda de adaptações de HQs para tevê e cinema iniciou um novo êxodo de criadores de peso, novamente na Marvel e, agora, também na DC. Dois deles são o roteirista Geoff Johns, que até pouco tempo era o homem-forte da editora de Burbank, e o desenhista Gary Frank. Responsáveis pela recente saga O Relógio do Juízo Final, eles agora se aventuram pela Image com uma nova série, Geiger.

Nela, acompanhamos a história de Tarik Geiger, um homem que sobrevive a um ataque nuclear de origem desconhecida aos EUA e se torna “o homem reluzente”, capaz de sobreviver sem equipamentos àquele ambiente inóspito. Geiger é um novo e intrigante universo, que aponta o rumo para as novas criações de monstros do mercados estadunidense.

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