Publicado 07 de Setembro de 2021 - 10h19

Por Estéfano Barioni/ Correio Popular

O dia 07 de setembro foi escolhido como Dia da Independência do Brasil por ter sido o dia em que, em 1822, D. Pedro I deu o grito de independência, às margens do riacho Ipiranga. Escrevo que a data foi escolhida, porque a independência brasileira não foi um momento singular de ruptura, mas fruto de um processo histórico, repleto de eventos.

Um Pouco de História

O processo de independência do Brasil começa com a vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte. Com a chegada da família real portuguesa, várias medidas foram adotadas e o Brasil experimentou um período de modernização e rápido desenvolvimento que colocou nosso país no caminho da independência.

FRASE

"O alicerce da nossa democracia é o Estado de direito e isso significa que temos de ter um judiciário independente, juízes que possam tomar decisões independentemente das direções em que os ventos políticos sopram”

Caroline Kennedy, advogada e diplomata norte-americana

Abertura ao Comércio

Em 1808, foi declarada a abertura dos portos brasileiros para transações comerciais com as nações aliadas de Portugal. Antes, na condição de colônia, o Brasil só podia estabelecer relações comerciais com Portugal. Com a abertura, os portos brasileiros foram modernizados e tiveram sua capacidade expandida para acolher maior movimentação de mercadorias.

Banco do Brasil

A chegada da família real também levou à fundação do Banco do Brasil, em 1808. Com o Brasil se tornando o centro do império português, com boa parte da economia lusitana passando por nosso país, havia a necessidade de estabelecer uma instituição financeira que funcionaria como um banco misto, servindo como banco de depósitos e também como emissor de moedas.

Imprensa

Também em 1808 foi criada a Imprensa Régia, com instalação das primeiras máquinas de tipografia e publicação dos primeiros jornais em solo brasileiro. Nos anos seguintes, no Rio de Janeiro, também foram criadas a Biblioteca Real, o Jardim Botânico e o Museu Real, que mais tarde se transformaria no Museu Nacional. Todas essas instituições foram as primeiras de suas espécies em território brasileiro.

Abertura de Escolas

A partir de 1808 também foram abertas as primeiras escolas em território brasileiro, incluindo as escolas de medicina da Bahia e do Rio de Janeiro, que iriam formar as primeiras universidades do Brasil. As primeiras fábricas no Brasil também surgem a partir desse momento. O investimento em conhecimento e inovação é uma condição necessária para o desenvolvimento econômico.

Emancipação

Essa sequência de eventos colocou o Brasil em uma rota de desenvolvimento que não poderia mais ser desfeita. Quando, em 1821, a família real voltou para Portugal e quis exigir que o Brasil retornasse à condição de mera colônia, sujeita aos interesses da metrópole, já não havia como voltar atrás. O processo de emancipação do Brasil já estava em curso.

Economia Independente

Em 1822, a economia brasileira era basicamente agrícola e baseava-se na exportação de matérias-primas, e na exploração de nossas riquezas naturais. O café era a principal (quase a única) fonte de riqueza de nosso país. Depois da independência, continuamos seguindo o mesmo modelo dependente do café até a crise econômica de 1929 derrubar a demanda e os preços, afundando nossa economia.

Economia Independente 2

Atualmente, continuamos explorando nossas riquezas naturais com uma pauta de exportação baseada em commodities (pode chamá-las de matérias-primas). Exportamos muita soja, café e muito minério de ferro com pouco ou nenhum processamento. Exploramos nossas bacias hidrográficas para gerar energia, mas somos dependentes das chuvas para ter eletricidade suficiente para sustentar o crescimento.

Grito de Independência

A independência não acontece no grito. Faz parte de um processo de desenvolvimento e de construção de um país. A independência acontece quando modernizamos a nossa sociedade, investimos no conhecimento, na ciência e na preservação das instituições democráticas, fatores que sustentam o crescimento econômico.

Escrito por:

Estéfano Barioni/ Correio Popular