Publicado 20 de Agosto de 2021 - 7h43

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

A intensificação do comércio internacional sustentou, em grande parte, o crescimento econômico mundial das últimas décadas. A possibilidade de explorar as vantagens comparativas de cada país, ou região geográfica, barateou o custo de produção em geral, gerando mais eficiência e permitindo ao mundo alcançar um nível maior de produto.

Comércio e logística 2

Nesse cenário, a logística ganha uma enorme importância para garantir reduções de custos e de tempos de entrega. A logística torna-se um campo fundamental para fornecer vantagens competitivas para as empresas. Ter uma logística adequada tornou-se tão importante quanto ter um bom projeto e bons processos produtivos. Na verdade, são campos que se complementam.

FRASE

"Quando falamos sobre 'transporte inteligente', é mais do que mover cargas de A para B.

A digitalização dentro do transporte e da logística significa a condução de negócios mais eficientes."

Soren Skou, empresário dinamarquês

Logística na pandemia

A pandemia impulsionou a importância da logística a um patamar ainda maior, tendo em vista o crescimento do comércio eletrônico. Segundo analistas de mercado, a possibilidade de comprar produtos das mais diferentes naturezas sem sequer sair de casa ou do escritório é uma tendência que deverá permanecer em alta.

Logística na pandemia 2

Ao mesmo tempo, a pandemia também trouxe maiores desafios em termos logísticos, com restrições de circulação, fechamentos de unidades produtivas, interrupções na cadeia de valor de algumas matérias-primas e insumos da produção, e até o fechamento de terminais de importantes portos de circulação de mercadorias.

Cadeias de suprimento

Recentemente, por conta do aumento dos casos de covid-19, dois terminais de importantes portos chineses de transporte de carga foram fechados, trazendo caos para a logística internacional de mercadorias. Os prazos de entrega estão todos sofrendo atrasos, ao mesmo tempo em que os custos do frete marítimo dispararam, com algumas linhas chegando a custar dez vezes mais do que antes da pandemia.

Aumento no custo

Grande parte do problema no transporte marítimo está na rota entre China e Europa, considerada atualmente um gargalo no comércio internacional. Essa situação é a combinação de uma demanda aquecida (após a retração do ano passado), menor capacidade de embarque e desembarque pelo fechamento de terminais, e também a falta de containers disponíveis.

Normalização tardia

Segundo especialistas do setor, a situação no mercado de transporte marítimo de cargas não irá se normalizar antes do primeiro trimestre de 2022. O fim do ano e o consequente boom que o comércio experimenta, devido às compras de Natal, irão contribuir para manter a pressão sobre o frete de cargas.

Valor do petróleo

O valor do petróleo, que caiu 13% nos últimos dois meses, passando de 75 dólares para a faixa atual de cerca de 65 dólares por barril, não deve representar alívio para os custos de transporte marítimo. O aumento do valor do frete não é problema de aumentos na cadeia de insumos desse setor, mas um problema de escassez de capacidade. Falta oferta e sobra demanda.

Reflexos no transporte aéreo

O aumento nos custos do frete marítimo e a falta de disponibilidade, que acarreta atrasos e custos adicionais, têm movimentado o setor de logística, com reflexos no setor aéreo. O Aeroporto de Viracopos, localizado em Campinas, é o maior centro de transporte aéreo de cargas da América do Sul, respondendo por quase 20% de toda a movimentação de cargas nos aeroportos brasileiros.

Movimentação em Viracopos

Em 2020, foram movimentadas mais de 256 mil toneladas de mercadorias nos terminais de cargas de Viracopos. O valor representa um aumento de 18,5% em relação ao ano de 2019, e esse expressivo aumento deve ser ainda mais intensificado. Entre janeiro e julho deste ano, mais de 196 mil toneladas já passaram pelos terminais de Viracopos, um aumento de 52% em relação ao mesmo período de 2020.

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Estéfano Barioni/Correio Popular