Publicado 19 de Agosto de 2021 - 11h45

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

Em economia, o dilema da agência é a situação em que uma pessoa ou organização, no caso chamada de agente, deve tomar decisões em nome de outra pessoa ou organização, parte chamada de principal. Um exemplo desse tipo de relação acontece quando uma pessoa realiza um investimento em um fundo, onde o gestor do fundo decidirá em quais ativos alocar os recursos.

O dilema da agência 2

Agente e principal têm uma relação contratual, onde o agente é contratado para tomar as decisões em nome do principal. O dilema da agência, também chamado de problema do principal- agente, acontece quando os interesses do agente e do principal não estão perfeitamente alinhados.

O agente, movido por seus próprios interesses, toma decisões que vão contra os melhores interesses

do principal.

FRASE

"Se você contratar pessoas apenas pela capacidade de realizar um trabalho, elas irão trabalhar pelo seu dinheiro. Mas se você contratar pessoas que acreditam no que você acredita, eles irão trabalhar ao seu lado com sangue, suor e lágrimas."

Simon Sinek, escritor inglês

Conflito de interesses

Um exemplo fora da economia, mas muito claro para ilustrar a situação do dilema da agência, é a política. Um governante eleito recebe um "contrato" para agir em prol da população. Durante a campanha eleitoral, todas as atenções do candidato são para com interesses dos eleitores. Mas depois da eleição, é muito comum que interesses pessoais passem a prevalecer.

Consultoria

Voltando à economia, o dilema da agência pode acontecer em diversas situações. Em fusões e aquisições corporativas, quando uma empresa compra outra, o negócio é realizado após uma avaliação completa da empresa a ser adquirida. Essa avaliação é normalmente realizada por empresas de consultoria especializadas, que devem determinar o valor "justo" do negócio.

Avaliação tendenciosa

Acontece que, geralmente, essas empresas de consultoria são remuneradas através de um percentual do valor do negócio. Assim, os consultores terão uma tendência a supervalorizar os ativos da empresa a ser adquirida, aumentando o valor da transação. Dessa forma, aumentam o valor de sua própria remuneração.

Avaliação tendenciosa 2

Suponha que a avaliação criteriosa revele que a empresa a ser adquirida tem vários problemas e que o seu valor de mercado seja bem baixo ou ainda que a aquisição não seja aconselhável. Nesse caso, os agentes receberão a gratidão eterna da empresa contratante, e nada mais.O dilema da agência faz com que exista um viés nas ações dos agentes, que irão defender seus próprios interesses.

Comissão

Um exemplo parecido, e mais cotidiano, é o de uma agência imobiliária que também é remunerada com um percentual sobre o negócio. É possível que exista uma tendência de oferecer primeiro os imóveis mais caros, que geram maiores comissões, em vez dos imóveis mais adequados às reais necessidades do cliente. Novamente, trata-se do dilema da agência.

Alinhamento de interesses

Como resolver ou, pelo menos, atenuar o dilema da agência? Através de mecanismos que buscam alinhar os interesses do agente aos interesses do principal. Por exemplo, utilizando remunerações sobre o desempenho. Quanto melhor o desempenho, que é do interesse do principal, maior a remuneração, interesse do agente. Mas mesmo aí existe uma armadilha.

Alinhamento de interesses 2

O agente pode forçar a realização de resultados no curto prazo, para ser remunerado sobre esses resultados, mesmo que isso comprometa os resultados de longo prazo. Foi o caso de CEOs de grandes empresas no período da crise financeira de 2008. Antes da crise, muitos bônus foram pagos por ótimos resultados gerados, mas por meio de estratégias agressivas que depois quase levaram empresas à ruína.

Fazer o que precisa ser feito

Com o período eleitoral se aproximando, o dilema da agência se torna importante. Certas ações e ajustes na economia são necessários, mas produzem efeitos apenas no longo prazo. Os governantes farão o que precisa ser feito no interesse da nação ou os interesses eleitorais irão prevalecer?

Escrito por:

Estéfano Barioni/Correio Popular