Publicado 18 de Agosto de 2021 - 8h42

Por Nelson Hossri

No dia 6 de maio deste ano, ocorreu uma operação policial na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 29 pessoas. A operação foi a mais letal ocorrida na cidade. A Polícia Civil negou ter havido irregularidades na ação, enquanto críticos afirmam que houve uso de força desproporcional. Este artigo não tem a pretensão de analisar quem está certo ou errado neste caso, mas dissertar sobre a afirmação de um professor de História Moderna da Universidade de São Paulo (USP), que disse que "a esquerda precisa defender a legalização das drogas".

Segundo matéria veiculada no blog Opera Mundi, do Portal Uol, o Professor Henrique Carneiro defende que "a sociedade deveria aprender a usar droga com um amplo espectro de liberdade, mas com as restrições necessárias". Segundo ele, com a legalização e descriminalização das drogas, diminuiriam a violência policial decorrente da guerra contra os entorpecentes, como no caso de Jacarezinho, o encarceramento em massa e o próprio tráfico. E encerrou com a pérola: "o movimento antidrogas é de origem racista e xenófoba".

Bom, nem precisava todo esse apelo do "professor". A esquerda já tem como uma de suas principais pautas a legalização e descriminalização das drogas. Está em seu DNA. Inclusive, eles têm a necessidade de incluir o tema em votações. É quase uma crise de abstinência. Chegam até a deturpar a lei de uso medicinal, tentando incluir o uso recreativo na mesma. Para a esquerda, usar drogas é descolado, inofensivo e inclusivo. Tanto que, em alguns casos, chegam até a defender bandidos dizendo que só estão ganhando o "pão de cada dia", ou que são vítimas da sociedade. Vitimismo e bandidolatria também estão no DNA da esquerda.

Então, eu faço uma pergunta simples aos defensores da liberação e descriminalização das drogas: vocês sabem realmente qual é o impacto delas na sociedade? A resposta, certamente, não é "a união de todos os povos cantando a música 'Imagine' de mãos dadas e um arco-íris ao fundo". Querem só um exemplo para ilustrar? Cracolândia. Vejam a situação dos usuários nessa região. Mas, acreditem, existem casos piores.

As drogas destroem o indivíduo e sua família. Uma pessoa com predisposição ao vício pode ter sua vida arruinada em questão de pouco tempo. Para desenvolver uma dependência química, um piscar de olhos. Não estou falando isso por ouvir falar do assunto. Eu faço parte deste universo há quase 20 anos, atuando com políticas de prevenção às drogas, tratando dependentes, amparando famílias, orientando, aconselhando e realizando palestras gratuitas.

Recebo em meu gabinete e nas ruas mães desesperadas, pessoas quase sem forças para abandonar o vício, entidades, médicos e todo o tipo de pessoa e profissional que lida com drogas, lícitas ou não. Afirmo, categoricamente, que a liberação e descriminalização das drogas são as iniciativas mais temerárias que poderiam acontecer.

Não é só o fato de o que a droga faz com o indivíduo e sua família, mas existe um lado ainda mais grave. A droga financia o crime. Aquele dinheirinho que o revolucionário de esquerda, que ainda mora com os pais, usa para fumar seu baseadinho vai servir para a compra de armas que possivelmente vai matar um inocente numa favela por causa de R$ 10,00 que ele tem na carteira. Entenderam? É um efeito dominó.

Agora pensem: quem vai levar vantagem com a liberação das drogas? É por isso que, mais uma vez, quero enaltecer as ações do governo federal. Nunca foram feitas tantas operações contra o crime organizado como durante o mandato de Jair Bolsonaro. São toneladas de drogas e armas apreendidas, criminosos detidos, bens do crime recuperados, investimento em inteligência, equipamentos e profissionais, reforço de atuação nas fronteiras e muitas outras ações que estão enfraquecendo o mundo do crime e o tráfico de drogas. Só para exemplificar, em um ano de operação da Base Fluvial Arpão, na Amazônia, foram mais de R$ 100 milhões de prejuízo ao crime organizado por meio de armas, drogas e embarcações apreendidas e 194 pessoas presas.

Além do combate ao crime, o governo disponibiliza programas importantes no tratamento de dependentes químicos. Uma das iniciativas de destaque é o Mapa Virtual de Comunidades Terapêuticas, criado pelo Ministério da Cidadania. Ele facilita o atendimento de dependentes químicos que buscam tratamento, contendo a localização de todas as comunidades terapêuticas cadastradas junto ao governo federal. O serviço, que está disponível no site do Ministério, oferece, além do georreferenciamento, informações como nome, e-mail de contato, número de vagas e recursos públicos aportados na unidade.

Fato é que a descriminalização e liberação de drogas é uma enorme irresponsabilidade e um grande devaneio da esquerda, mas que não chega a ser uma surpresa para quem conhece o seu histórico de "lutas". Da minha parte, sempre atuarei no sentido de combater as drogas e tratar os dependentes, seja através de projetos ou de ações.

Nelson Hossri é vereador em Campinas.

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Nelson Hossri