Publicado 10 de Agosto de 2021 - 10h38

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

A poupança encerrou o mês de julho com uma captação líquida de R$ 6,4 bilhões. No total do mês, foram R$ 298,3 bilhões em depósitos e R$ 291,9 bilhões em retiradas. O resultado positivo de captações leva o saldo final das cadernetas de poupança no Brasil para a soma de R$ 1.038,9 bilhão. O saldo final atingido é o maior valor nominal dos últimos anos.

Captação positiva

Julho foi o quarto mês consecutivo com captação líquida positiva na caderneta de poupança. Ou seja, com mais depósitos do que retiradas. No total, os meses de abril, maio, junho e julho tiveram captação líquida positiva de R$ 17,4 bilhões. O grande efeito para esse volume captado é atribuído ao pagamento do auxílio emergencial, que voltou a acontecer desde abril.

FRASE

"Na ausência do padrão ouro, não há como proteger as poupanças do confisco por meio da inflação. Não existe uma reserva segura de valor.”

Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Central norte-americano

Primeiro trimestre

Os três primeiros meses do ano tiveram captação líquida negativa de R$ 27,5 bilhões. Exatamente nesses meses não houve pagamento do auxílio emergencial, o que ajuda a explicar a menor capacidade de realizar depósitos e maior necessidade em efetuar saques. Além disso, os primeiros meses do ano são normalmente caracterizados por maiores despesas das famílias (como IPVA, IPTU e despesas escolares).

Auxílio emergencial

Segundo o site da Casa Civil, entre abril e o final de junho, o governo federal pagou R$ 26,3 bilhões em auxílios emergenciais. O valor, que é praticamente igual ao saque líquido em caderneta de poupança realizado de janeiro a março, compreende pouco mais de 114 milhões de transferências e inclui o pagamento das três primeiras parcelas do auxílio.

Saldo até Julho

No acumulado de 2021, até o mês de julho, a captação líquida da poupança é negativa, com retiradas superando os depósitos em R$ 10,2 bilhões. O resultado negativo não impediu que o saldo final alcançasse o maior valor nominal dos últimos anos porque os rendimentos acumulados em 2021, que somaram cerca de R$ 13,4 bilhões até julho, compensaram as retiradas.

Recorde de captação em 2020

Na comparação ano a ano, 2020 foi o recordista absoluto em captações líquidas de poupança. Em valores nominais, houve uma captação líquida de R$ 166,3 bilhões em 2020, frente à captação média de R$ 17,2 bilhões nos dez anos anteriores. O motivo para esse excesso de captação foi a pandemia. Frente às incertezas, as famílias brasileiras buscaram cortar gastos e, quando possível, guardar dinheiro.

Recorde de saques

Do outro lado, os recordes de saques líquidos aconteceram em 2015 e 2016, em plena recessão econômica. Em 2015, ocorreram saques líquidos de R$ 53,6 bilhões e, em 2016, de R$ 40,7 bilhões. O PIB per capita encolheu 4,35% em 2015 e 4,07% em 2016. Nesses anos, com a redução da renda per capita, grande parte da população recorreu a recursos guardados para pagar as despesas.

Remuneração

A caderneta de poupança é o tipo de investimento mais tradicional e popular no Brasil. A remuneração da caderneta de poupança é dada pela taxa referencial (TR, que está em 0% ao ano desde 2017), somada a 70% do valor da Selic. Essa regra é válida para períodos em que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano.

Remuneração 2

Com a Selic estabelecida em 5,25% ao ano após a última reunião do Copom, o rendimento da poupança será equivalente a pouco menos de 3,7% ao ano, ou cerca de 0,3% ao mês. É um valor que não chega à metade da inflação acumulada nos últimos 12 meses. Antes do início dests ciclo de aumentos da taxa Selic, a caderneta de poupança vinha rendendo por volta de meros 0,16% ao mês.

Poupança e crescimento

A formação de poupança tem uma enorme importância no crescimento, pois é a poupança que fornece os recursos para financiar diversos tipos de investimentos. A captação líquida positiva de recursos para a poupança é um bom sinal econômico.

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Estéfano Barioni/Correio Popular