Publicado 08 de Agosto de 2021 - 12h15

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

Esta semana, o Copom promoveu mais um aumento da taxa básica de juros da economia, que agora passa a ser de 5,25% ao ano. Esse foi o quarto aumento consecutivo na taxa Selic e o maior deles em intensidade. Dessa vez, o aumento foi de 1 ponto percentual, enquanto os anteriores haviam sido de 0,75 ponto percentual.

Comunicado do Copom

O mercado já esperava um aumento nessa mesma intensidade, tanto que os juros futuros já estavam precificados, considerando um acréscimo de 1 ponto percentual na taxa Selic. Talvez mais importante que o aumento em si, que não trouxe nenhuma novidade, tenha sido o comunicado do Copom que acompanhou a divulgação da decisão.

FRASE

"A política monetária é como fazer malabarismos com seis bolas. Não é apenas 'taxa de juros alta, taxa de juros baixa'. Há a taxa de câmbio, os rendimentos de longo prazo, os rendimentos de curto prazo, o crescimento do crédito.” (Raghuram Rajan, ex-presidente do Banco Central da Índia)

Fatores em consideração

Para determinar o nível da taxa de juros, o Comitê de Política Monetária leva em consideração diversos fatores, tais como a inflação atual e a expectativa de inflação, as taxas de crescimento da economia, a oferta de crédito e a taxa de câmbio. O objetivo final da política monetária é controlar a inflação para manter a estabilidade da moeda e da economia como um todo.

Efeito

Taxas de juros mais altas encarecem o crédito e reduzem o consumo. Dessa forma, ajudam a segurar os preços e reduzir a inflação. Por outro lado, desaceleram o crescimento, e também favorecem a valorização do Real. Taxas de juros mais baixas, tornam o crédito mais barato, fazendo o consumo aumentar e favorecem a aceleração do crescimento. Por outro lado, tendem a desvalorizar a moeda e favorecer o aumento da inflação.

Crescimento econômico

Em seu comunicado, o Copom considerou que os indicadores de atividade econômica mostram uma evolução positiva, devendo manter essa tendência ao longo do ano. Dessa forma, o Copom visualiza uma recuperação robusta do crescimento econômico no segundo semestre de 2021. Nessa perspectiva, existe espaço para não conceder estímulos monetários, ou seja, aumentar a taxa de juros.

Cenário externo

Mesmo com a evolução da variante delta da covid-19 e com alguma perspectiva de risco de inflação nos países desenvolvidos, as principais economias do mundo devem manter os estímulos monetários, com juros baixos ainda por um bom período, além de programas fiscais expansionistas. A reabertura das principais economias deve favorecer os países emergentes, como o Brasil.

Inflação

Todas as medidas de inflação consideradas encontram-se acima da meta estabelecida pelo Banco Central. Além disso, o cenário de inflação tornou-se mais desfavorável, pois a inflação se mostra persistente e mais espalhada em diversos segmentos. Dessa forma, a chance de a inflação observada até aqui ser apenas um fenômeno temporário fica reduzida.

Inflação 2

Os componentes que mais contribuíram para a persistência do núcleo da inflação são a contínua pressão sobre os bens industriais e a inflação de serviços. Além disso, componentes fora do núcleo (ou seja, os elementos mais sazonais) também contribuíram para pressionar a inflação. São eles a eletricidade e os preços dos alimentos, ambos afetados por condições climáticas adversas.

Inflação no curto prazo

Nesse cenário, a inflação de curto prazo continuará pressionada e o Copom decidiu pelo aumento das taxas de juros para trazer a inflação de volta para a meta no ano que vem. Para este ano, a inflação ficará certamente acima de 5,25%, que é o teto da meta. Para 2022, a meta é deixar a inflação anual em um intervalo entre 2,0% e 5,0% ao ano.

Próxima reunião

Para a próxima reunião, que ocorre nos dias 21 e 22 de setembro, o comunicado do Copom já antevê uma nova elevação da taxa de juros, na mesma magnitude da atual. Ou seja, novo aumento de 1 ponto percentual, trazendo a taxa Selic a um nível de 6,25% ao ano. Será o maior nível da taxa de juros desde julho de 2019.

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Estéfano Barioni/Correio Popular