Publicado 06 de Agosto de 2021 - 9h42

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

Na reunião que se encerrou nesta quarta-feira, o Copom promoveu um aumento de 1 ponto percentual na taxa básica de juros da economia. Com isso, a taxa Selic passa para 5,25% ao ano. Foi o quarto aumento consecutivo na taxa básica desde que o Copom iniciou esse ciclo de aperto monetário. Até fevereiro deste ano, a taxa Selic estava em 2,00% ao ano.

Aumento esperado

O aumento veio em linha com o esperado pelo mercado. Com a inflação oficial, medida pelo IPCA, muito acima da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, o aperto monetário já era dado como certo. A elevação das taxas de juros tornará o crédito mais caro e incentivará a poupança, fazendo com que a demanda caia e os preços diminuam.

FRASE

"A única maneira de garantir que as expectativas de inflação permaneçam ancoradas com segurança perto da meta é manter, de forma consistente, a inflação próxima dessa meta."

Jerome Powell, presidente do FED (Banco Central norte-americano)

Inflação

O IPCA acumulou 8,35% nos últimos 12 meses, medidos até o mês de junho. A projeção do IPCA de julho é de 0,94% (o número oficial só será divulgado na semana que vem), fazendo com que o acumulado em 12 meses fique muito próximo de 9% ao ano. O teto da meta do Banco Central para a inflação é de 5,25% ao ano.

Juros negativos

Isso significa que, na situação atual, com a inflação correndo a aproximadamente 9% ao ano e uma taxa básica de juros de 5,25% ao ano, o investidor que comprar títulos da dívida do governo remunerados pela Selic terá uma perda real no ano de 3,44%, pois o investimento não traz retornos suficientes para sequer cobrir a corrosão do poder de compra provocada pela inflação.

Expectativa do mercado

É claro que a economia é dinâmica e a comparação aqui foi feita entre os juros atuais e a inflação passada. A inflação futura é influenciada pelos juros atuais e pelos juros futuros. Mas de qualquer forma, o desequilíbrio da inflação atingiu um nível tão significativo que não havia como não esperar um forte aumento na taxa básica de juros.

Expectativa do mercado 2

Segundo as expectativas dos agentes de mercado, o Copom deve manter o ciclo de aumentos de juros e a Selic deve terminar 2021 com uma taxa de 7% ao ano. A inflação, por sua vez, deve encerrar o ano por volta de 6,80%. Isso fará com que os juros reais pagos pelos títulos do governo terminem o ano com remuneração real positiva, mas próxima de zero.

Efeitos no câmbio

Com a elevação da taxa básica de juros, os títulos da dívida pública e os ativos de renda fixa brasileiros tornam-se mais atrativos para os investidores estrangeiros. Se os juros das economias desenvolvidas se mantiverem em níveis baixos, haverá um maior fluxo de entrada de recursos estrangeiros buscando investimento no Brasil. Com maior oferta de dólares, a taxa de câmbio deverá recuar.

Efeitos fiscais

O aumento da taxa Selic também aumenta o custo da dívida pública. O aumento de 1 ponto percentual na taxa Selic aumentará a dívida bruta do governo geral (DBGG) em quase R$ 31 bilhões. A DBGG, que engloba a dívida do governo federal, INSS e governos estaduais e municipais, está atualmente em R$ 6,7 trilhões, o que equivale a 84% do PIB.

Inflação fora da meta

A inflação de 2021 certamente ficará acima da meta estabelecida pelo Banco Central (de 2,25% a 5,25%). Não existe uma obrigatoriedade de que o Banco Central consiga manter a inflação dentro da meta e, excepcionalmente, o valor pode ficar acima ou abaixo. Mas, de qualquer forma, a meta deve ser perseguida para manter a estabilidade dos preços e da economia.

Inflação fora da meta 2

Com a inflação terminando o ano fora do intervalo de tolerância da meta, o presidente do BC deverá divulgar uma carta aberta ao Ministro da Economia, explicando as causas do descumprimento da meta, quais serão as medidas para garantir o retorno da inflação aos limites estabelecidos e em que prazo se espera que as medidas produzam o efeito desejado.

Escrito por:

Estéfano Barioni/Correio Popular