Publicado 05 de Agosto de 2021 - 9h14

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

O consumo de eletricidade é um bom indicador da atividade econômica. Como toda atividade produtiva requer o consumo de energia elétrica, a produção tem uma relação praticamente direta com a quantidade de eletricidade consumida. Além disso, do lado residencial, a expansão do consumo de energia está correlacionada ao aumento da renda, pois é sinal de mais aparelhos eletroeletrônicos sendo utilizados.

Consumo no Mês de Junho

O consumo de energia elétrica do Brasil no mês de junho foi de 40.156 GWh, valor 12,5% maior do que o consumo de junho de 2020. Apesar do baixo consumo em junho do ano passado, por conta da pandemia, ter contribuído para a elevação da taxa de incremento, o mês passado foi o mês de junho com o maior consumo na série histórica, iniciada em 2004.

FRASE

"Para que a indústria se estabeleça em um país, você precisa primeiro de eletricidade; para ter eletricidade, você precisa de trabalhadores treinados; para trabalhadores treinados, você precisa de escolas; para escolas você precisa de algum dinheiro; para ter dinheiro, você precisa de alguma indústria"

Evan Davis, economista inglês

Mercado Livre vs. Mercado Cativo

Em relação a junho do ano passado, o mercado cativo de energia elétrica representou aumento de 6,2% no consumo de eletricidade, enquanto o mercado livre percebeu aumento de 24,2% no consumo. O mercado livre é formado por indústrias e empresas com demanda superior a 2000 kW de potência, que podem estabelecer contratos de energia diretamente com usinas produtoras.

Mercado Livre vs. Mercado Cativo 2

Os demais consumidores, inclusive todos os consumidores residenciais e grande parte dos consumidores comerciais, fazem parte do mercado cativo. Esses consumidores não possuem opção de fornecimento e são obrigatoriamente atendidos pela empresa distribuidora de eletricidade da região onde se localizam.

Consumidores Especiais

Podem participar do mercado livre de energia elétrica também os consumidores especiais, que são empresas com demanda de potência entre 500 kW e 2500 kW, mas nesse caso é preciso que os contratos de eletricidade sejam firmados obrigatoriamente com fornecimento a partir de usinas de geração que utilizam fontes renováveis.

Primeiro Semestre

O primeiro semestre de 2021 teve consumo de 249.954 GWh. Em comparação com o primeiro semestre de 2020 o aumento foi de 7,7%. O maior responsável pelo aumento foi o setor industrial, cuja demanda de energia elétrica aumentou em 14,3% no primeiro semestre de 2021 em comparação com o mesmo período do ano passado. O setor residencial teve aumento de 4,9% no consumo e o setor comercial registrou aumento de 4,3%.

Setor Industrial

O aumento no consumo de eletricidade no setor industrial é sinal de aquecimento da economia. O setor teve o maior consumo no mês de junho desde 2014. Dentro deste setor, o maior aumento no consumo absoluto veio da indústria metalúrgica e da indústria química, enquanto o maior aumento relativo (maior taxa de aumento)veio da indústria têxtil e da indústria automotiva.

Crescimento da Produção

Nos últimos 3 meses, o setor industrial registrou aumentos no consumo de eletricidade de 25% em abril, de 22,4% em maio e 19,4% em junho, na comparação mês a mês em relação a 2020. O aumento no consumo tem acompanhado a produção física industrial, que em 12 meses alcançou um crescimento de quase de 10%.

Retomada Econômica

Todos os ramos industriais têm verificado aumento no consumo de eletricidade em relação ao ano passado. Desde metalúrgicas, indústrias químicas, indústria de borracha e materiais plásticos, de produtos metálicos e minerais, até automobilísticas e indústrias de papel e celulose. O fato de o aumento no consumo estar vindo de várias indústrias diferentes é um ótimo sinal de recuperação econômica.

Energia e Economia

É impossível dissociar o crescimento econômico do aumento do consumo de eletricidade, pois toda a atividade econômica depende de energia para acontecer. A recuperação da economia pós pandemia já está acontecendo e o consumo de eletricidade tem aumentado de maneira consistente. É preciso garantir o fornecimento de energia para sustentar esse crescimento.

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Estéfano Barioni/Correio Popular