Publicado 03 de Agosto de 2021 - 9h27

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

Um dos assuntos que mais agitarão a semana é a quinta reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que se inicia hoje e termina amanhã, quando o Copom definirá a nova taxa básica de juros da economia. A taxa Selic está atualmente em 4,25% ao ano, valor definido na última reunião do Copom, que decidiu por um aumento de 0,75 ponto percentual.

Valor da taxa Selic

O mercado dá como certo um novo aumento na taxa Selic. A maioria dos analistas do mercado aposta em um aumento de 1,0 ponto percentual, o que levaria a taxa Selic ao patamar de 5,25% ao ano. Seria o maior nível de taxa de juros desde outubro de 2019. Em março deste ano, o Banco Central iniciou um ciclo de aumentos da taxa Selic como forma de combate à inflação.

FRASE

"Nos termos mais simples, a inflação ocorre quando há muito dinheiro no sistema.”

Robert Kiyosaki, escritor norte-americano

Política monetária

A utilização da taxa de juros é o instrumento mais ortodoxo de controle da inflação. O aumento dos juros diminui a quantidade de dinheiro em circulação, por meio de dois efeitos. De um lado, juros mais altos tornam o crédito mais caro, fazendo com que menos empréstimos e financiamentos sejam concedidos. De outro lado, juros mais altos incentivam as pessoas a pouparem mais, pois percebem ganhos maiores em aplicações financeiras.

Equilíbrio de oferta e demanda

Com uma menor quantidade de dinheiro em circulação, pois há menos concessão de crédito e mais dinheiro é poupado, sobra menos dinheiro para o consumo imediato, fazendo com que a demanda caia. Como a oferta não se altera, o novo equilíbrio de oferta e demanda acontece em um nível de preço menor. Assim, os preços gerais da economia caem, puxando a inflação para baixo.

Inflação

A inflação, medida pelo IPCA, já acumula alta de 8,35% em 12 meses, medida até junho deste ano. A inflação de julho, ainda a ser divulgada, deve ser mais alta do que a inflação de julho de 2020, fazendo com que o IPCA aumente ainda mais, devendo alcançar pouco menos de 9% em 12 meses. É um valor alto e muito acima do teto da meta de inflação, estabelecido em 5,25% ao ano.

Decisão do Copom

O Copom realiza a decisão que define o nível da taxa de juros com base nas expectativas de inflação, no nível de atividade econômica e nos fatores de risco identificados no cenário econômico. A atividade econômica tem dado seguidos sinais de melhora. Por outro lado, a inflação persiste em níveis altos e deve continuar em trajetória de aumento pelos próximos dois meses ainda.

Aumento da taxa de juros

Por esses motivos, é certo que o Copom aumentará a taxa de juros amanhã. A dúvida é de quanto será esse aumento. Se o Copom seguir o ritmo atual, o aumento será de 0,75 ponto percentual. No entanto, como a inflação continua subindo, a grande aposta é de que o Copom acelere o ritmo de aperto monetário, aumentando a Selic em 1,0 ponto percentual.

Referência de juros

A taxa Selic é a principal referência para os demais juros da economia, como os juros pagos nas aplicações de renda fixa, por exemplo. A Selic representa a taxa média praticada em negociações dos títulos da dívida pública emitidos pelo Tesouro Nacional, que são registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (de onde vem o nome Selic).

Atuação no mercado

Ao contrário do que possa parecer, o aumento da taxa de juros não acontece em uma simples “canetada”. A partir da decisão do Copom, definindo o novo patamar da taxa Selic, o Banco Central passa a atuar diariamente no mercado, comprando e vendendo títulos federais da dívida pública, fazendo com que a taxa de juros do mercado fique muito próxima ao valor definido na reunião.

Combate à inflação

O combate à inflação é muito importante para o desenvolvimento econômico, pois a inflação descontrolada provoca uma alocação ineficiente de recursos, alterando o comportamento dos agentes econômicos. Além disso, a inflação pune mais severamente as camadas menos favorecidas da população, que contam com menos instrumentos para se proteger da subida dos preços.

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Estéfano Barioni/Correio Popular