Publicado 22 de Julho de 2021 - 9h10

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

Os principais indicadores econômicos mostram que a economia mundial está se recuperando da grave crise provocada pela pandemia de covid-19. Além disso, as expectativas sobre a economia continuam a melhorar. Como a economia é feita de investimentos e de outras decisões que miram o futuro, as expectativas são tão importantes quanto o próprio momento econômico em si.

Diferenças

Com as economias se recuperando da pandemia, as percepções de risco e as expectativas sobre a evolução econômica têm se modificado. No entanto, assim como o desempenho econômico mundial é marcado por fortes desigualdades entre países de renda elevada e países de baixa renda, as expectativas também diferem bastante.

FRASE

"Expectativas elevadas são a chave para tudo.”

Sam Walton, fundador do WalMart

Expectativas

Enquanto os países desenvolvidos já estão antecipando ou mesmo vivendo o início de ciclos de plena recuperação econômica, muitos países em desenvolvimento estão ainda enfrentando grandes desafios em relação à contenção da pandemia e aos seus graves efeitos econômicos, tanto no setor privado como no setor público.

Fatores de risco

O principal fator de risco contra a retomada do crescimento continua sendo a pandemia. A vacinação está avançando, apesar de abaixo do ritmo ideal, e tem se mostrado eficaz na redução de contágios e na prevenção de casos graves. Por outro lado, as preocupações ficam em torno das variantes do coronavírus, especialmente a variante Delta, ainda mais contagiosa que a original.

Inflação

A inflação é o fator de risco que mais tem crescido como uma preocupação mundial. Os pacotes de estímulo adotados pelos Estados Unidos e pela União Europeia estão injetando um grande volume de dinheiro nessas economias, puxando a demanda agregada para cima. Como efeito colateral, criam-se pressões inflacionárias globais.

Inflação 2

A elevação dos preços causada pelo aquecimento da demanda é uma preocupação que tem se tornado cada vez mais presente. A inflação tem efeitos muito negativos sobre a economia e a grande dúvida é se o aumento dos preços será um fenômeno transitório ou mais persistente. Caso os Bancos Centrais, especialmente o FED, comecem a retirar os estímulos, o ritmo de recuperação econômica diminuirá sensivelmente.

Quebras das cadeias de suprimento

As cadeias de suprimento que foram parcialmente interrompidas pelos fechamentos impostos durante o combate à pandemia têm se mostrado de recuperação mais lenta do que se previa. Como a economia é toda interligada e os setores econômicos são todos interconectados entre si, com um setor fornecendo insumos a outro, a normalização no fornecimento tem sido mais difícil. A oferta instável também contribui para manter as pressões inflacionárias.

Altos níveis de endividamento

Outro risco para a recuperação econômica é o alto nível de endividamento público causado pelos gastos exigidos no combate à pandemia. A deterioração das contas públicas limita a capacidade dos governos em adotar medidas de estímulo à economia, comprometendo ainda a capacidade de investimento e reduzindo o potencial de crescimento econômico.

Instabilidade política

Outro fator de risco potencial é a instabilidade política causada pela crise sanitária. A má gestão da pandemia lança dúvidas também sobre a capacidade do governo em conduzir o País no caminho da recuperação econômica, tornando o futuro mais incerto. E qualquer fator que afete negativamente a previsibilidade dos fatos é visto como um fator de risco econômico.

Desafios e expectativas

O comprometimento das contas públicas e a falta de capital político do governo limitam também a capacidade de condução das reformas necessárias para tornar a economia do País mais dinâmica e competitiva. Ainda são enormes os desafios a serem enfrentados, mas ao menos as expectativas para os meses que estão por vir estão melhores do que já estiveram no passado.

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Estéfano Barioni/Correio Popular