Publicado 21 de Julho de 2021 - 9h39

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

De cada 100 adultos no mundo, cerca de 28 não possuem qualquer tipo de conta junto a uma instituição financeira, seja ela uma instituição bancária ou não. Essas pessoas acabam ficando completamente excluídas do sistema financeiro convencional, sem acesso aos principais instrumentos de crédito e de poupança.

Exclusão financeira 2

Nos países desenvolvidos, o acesso ao sistema financeiro supera facilmente índices de 94% da população adulta. Enquanto isso, no Brasil, é de 27% a parcela da população adulta sem qualquer tipo de conta em instituições financeiras, sejam elas bancos convencionais ou

fintechs. Os dados são do Banco Mundial.

FRASE

"A inclusão financeira ajuda a tirar as pessoas da pobreza e pode ajudar a acelerar o desenvolvimento econômico. Pode também atrair mais mulheres para a corrente principal da atividade econômica, aproveitando suas contribuições para a sociedade."

Sri Mulyani, ministra das Finanças da Indonésia

Informalidade econômica

Essa população equivale a cerca de 40 milhões de brasileiros adultos fora do sistema financeiro. Mesmo que boa parte dessas pessoas possa estar desempenhando atividades econômicas, e recebendo pagamentos em dinheiro por seu trabalho, esse contingente encontra-se em uma situação de informalidade do ponto de vista econômico.

Cidadania

A informalidade nesse caso tem um sentido mais amplo, e provavelmente ainda mais negativo, do que o da informalidade frequentemente encontrada nas relações de trabalho. Não se trata apenas de direitos trabalhistas que não alcançam essas pessoas, mas sim de uma questão de cidadania. A exclusão financeira impede o exercício pleno da cidadania.

Acesso ao crédito

Sem acesso ao sistema financeiro, essas pessoas não têm acesso aos instrumentos mais básicos de crédito, como empréstimos de curto prazo e financiamentos. Assim, todas as necessidades de consumo dessas pessoas precisam ser supridas por pagamentos à vista, em dinheiro, ou são simplesmente reprimidas.

Poupança

Essas pessoas também têm menos incentivos para poupar, pois não têm acesso aos instrumentos financeiros que remuneram o dinheiro poupado. Por menor que seja o capital poupado e mesmo que a remuneração conseguida seja pequena, sem esses instrumentos é muito difícil poupar e tentar criar uma reserva de recursos para emergências.

Educação financeira

Também fica inviabilizado qualquer tipo de educação financeira, que é fundamental para o desenvolvimento pessoal. A possibilidade de tomar decisões financeiras inteligentes, que maximizem os recursos disponíveis, requer um mínimo acesso aos instrumentos financeiros que vão permitir a criação de valor a partir das decisões tomadas pelos agentes econômicos.

Proteção contra inflação

Também por não terem acesso aos instrumentos financeiros, as pessoas que estão fora do sistema financeiro não possuem qualquer tipo de proteção contra a inflação. O aumento dos preços corrói imediatamente o poder de compra dessas pessoas. Essa situação se torna ainda mais grave por serem exatamente essas as pessoas que contam com menos recursos para a sua subsistência.

Vulnerabilidade na pandemia

Por todas as razões já elencadas, esse contingente forma também uma das populações mais vulneráveis aos efeitos da pandemia de covid-19. Sem acesso ao crédito e sem reservas financeiras, essas pessoas estão extremamente expostas. Além disso, são pessoas que não possuem nenhuma possibilidade de trabalho remoto, pois sequer podem receber pagamentos por meio do sistema financeiro.

Inclusão financeira

A inclusão financeira é um importante aspecto do desenvolvimento econômico e social de um país. De cada quatro adultos brasileiros, um se encontra fora do sistema financeiro, não possuindo conta em qualquer tipo de instituição financeira. Fornecer as condições para fomentar a inclusão financeira e o acesso aos instrumentos mais básicos do sistema financeiro é um passo fundamental para o desenvolvimento e para a garantia da cidadania.

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Estéfano Barioni/Correio Popular