Publicado 20 de Julho de 2021 - 9h59

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

O Banco Central inicia neste mês uma série de seminários virtuais (webinars) para debater a elaboração e a emissão de uma moeda digital oficial no Brasil. Os encontros serão utilizados para discutir as diretrizes gerais de uma versão digital do Real, fazendo o levantamento de potenciais casos em que o uso de uma moeda digital pode trazer benefícios aos usuários e à economia.

Moedas digitais

A iniciativa do Banco Central não acontece por acaso. Neste ano, a China lançou uma versão digital de sua moeda, o Yuan. O Banco Central Europeu também acaba de lançar projeto de uma versão digital do Euro, cujo formato estará em desenvolvimento nos próximos dois anos. Os Estados Unidos também estão trabalhando em cinco versões piloto para criar a versão do dólar digital.

FRASE

“Nosso trabalho visa garantir que, na era digital, os cidadãos e as empresas continuem a ter acesso à forma mais segura de dinheiro, o dinheiro do Banco Central.”

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu

CBDC

As versões digitais das moedas oficiais utilizadas pelos países são identificadas pela sigla CBDC (do inglês, Central Banking Digital Currency), que significa Moeda Digital de Banco Central. AS CBDC são diferentes de criptomoedas como o Bitcoin, Ethereum, Dogecoin e outras porque, no caso das CBDC, existe uma autoridade monetária (o Banco Central emissor) que garante o valor da moeda.

Criptomoedas

As criptomoedas existentes foram lançadas livremente, sem nenhuma autoridade monetária oferecendo lastro ou garantia de seu valor. Outras novas criptomoedas podem ser lançadas a qualquer momento, dessa mesma forma, sem qualquer tipo de lastro. Assim, as criptomoedas não possuem um mercado intrínseco, e não têm correspondência nenhuma com a economia real.

Criptomoedas 2

Por essa razão, o valor das criptomoedas é sujeito apenas aos fluxos de oferta e de demanda de moeda, estando sujeito a grande volatilidade. Esse mesmo motivo torna muito difícil a utilização de criptomoedas como meios de pagamento ou como unidade de conta. Criptomoedas acabam sendo mais utilizadas como investimentos especulativos.

Redução de custos

Ao contrário, as CBDC possuem a garantia do Banco Central emissor, podendo ser utilizadas como meio de pagamento com o mesmo grau de confiança das moedas convencionais. A vantagem das versões digitais é a possibilidade de realizar pagamentos online sem a necessidade de instituições intermediárias (a operadora do cartão de crédito, por exemplo), reduzindo o custo das operações para os usuários.

Potenciais do Real digital

O primeiro encontro virtual a ser realizado pelo Banco Central discutirá, no próximo dia 29, os potenciais do Real em formato digital e irá oferecer uma visão global das moedas digitais lançadas por Bancos Centrais. As iniciativas de outros países serão apresentadas e os principais pontos de interesse geral para a emissão de uma versão digital do Real serão discutidos.

Outros aspectos

Os outros seis encontros da série irão discutir temas como segurança de dados, sigilo e rastreabilidade, interações com operações offline, emissão e movimentação, integração aos sistemas de pagamento internacionais, alternativas tecnológicas para a emissão da moeda digital e os sistemas de segurança contra ataques cibernéticos.

Digitalização da economia

A digitalização da economia tem se espalhado por todos os setores e atividades econômicas, transformando a forma como as transações e os pagamentos são realizados. Uma moeda digital pode garantir o acesso a um meio de pagamento aceito em todo o país, de forma gratuita, simples, segura e confiável, contribuindo para uma maior acessibilidade e inclusão financeira.

Complementaridade

Quando implantado, o Real digital não irá substituir o dinheiro físico, mas funcionará de forma complementar, sendo uma opção adicional de pagamento. Essa opção nova combina a eficiência e a rapidez de um instrumento de pagamento digital, com zero custo para o usuário, aliadas à segurança de uma moeda oficial emitida pelo Banco Central.

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Estéfano Barioni/Correio Popular