Publicado 18 de Julho de 2021 - 12h54

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

Dentro do paradigma neoclássico da economia, o mercado competitivo é visto como o ambiente em que naturalmente ocorre a alocação eficiente dos recursos. Em condições de perfeita concorrência entre as empresas, os preços e quantidades são livremente determinados pelo equilíbrio entre oferta e demanda, levando a uma condição que maximiza a utilidade geral.

Concorrência perfeita

Em uma concorrência perfeita, existem muitas empresas oferecendo produtos semelhantes entre si e os consumidores têm total liberdade para escolher e realizar substituições entre esses produtos. Nenhuma empresa é grande o suficiente para influenciar os preços do mercado. Todas as empresas são, assim como os consumidores, tomadoras de preço.

FRASE

"Cada vez mais, as pessoas percebem a importância do crescimento econômico, de curto e longo prazo, e da competitividade com outros países ao redor do mundo.”

Alan Mulally, ex-presidente da Ford nos Estados Unidos

Competição

Nesse tipo de ambiente, as empresas mais eficientes mostram-se mais competitivas, pois conseguem melhores margens, ter mais ganhos para reinvestir e crescer. As empresas menos eficientes são menos competitivas, vão ficando para trás e acabam fechando. Os recursos que estavam investidos nessas empresas pouco eficientes acabam sendo revertidos para empresas novas ou já existentes, mais eficientes.

Ganhos de eficiência

Tal qual a seleção natural preserva as espécies mais adaptáveis, o mercado perfeitamente competitivo preserva empresas mais eficientes e capazes. Esse processo traz ganhos de produtividade ao setor como um todo, garantindo aumentos de eficiência na produção e fazendo com que os recursos sejam direcionados ao melhor uso, aumentando o bem-estar geral.

Mercados reais

Não existem mercados perfeitamente competitivos. A situação mais comum é a concorrência imperfeita, entre poucas empresas. Nessa condição, as empresas podem formar oligopólios que controlam o mercado, mantendo os preços em níveis de sua conveniência, e não no nível que seria ótimo, do ponto de vista global.

Mercados reais 2

Além disso, os consumidores não possuem informações completas sobre os produtos e têm possibilidades limitadas de reverter decisões sem custos. O consumo pode acontecer sob contratos de longa duração, impedindo a troca de fornecedor, ou podem existir custos de rescisão ou de troca. Assim, a liberdade de escolha entre um fornecedor e outro é limitada.

Falhas de mercado

A concorrência imperfeita, que leva à estrutura de mercado que não é plenamente competitiva, é uma falha de mercado. Falhas de mercado impedem que os recursos sejam alocados da maneira mais eficiente possível. Nesse caso, os preços não são determinados pelo puro equilíbrio entre oferta e demanda, e incorporam custos adicionais que podem alimentar ineficiências operacionais.

Intervenção

Na presença de falhas de mercado, a intervenção pública é admitida, e políticas setoriais podem ser desenvolvidas para buscar aproximar os mercados das condições de concorrência perfeita. O objetivo é favorecer melhor alocação dos recursos, gerando mais bem-estar e impedindo que o equilíbrio de mercado aconteça em situação não ótima. O melhor equilíbrio é o que mais se assemelha à concorrência perfeita.

Custos e benefícios

Dessa forma, deve-se buscar situações que privilegiem ganhos de produtividade. No entanto, é preciso certificar-se de que a intervenção governamental, que sempre terá um custo, tenha custo inferior aos benefícios gerados. Caso contrário, a intervenção terá gerado mais ineficiências do que a situação original, prejudicando mais os consumidores e os mercados, e trazendo perdas de competitividade.

Políticas setoriais

Políticas setoriais precisam ser muito bem planejadas, com objetivos claros e bem definidos, além de prazos estabelecidos para que esses objetivos sejam atingidos, com métricas claras para avaliação dos resultados. As melhores políticas setoriais não são as que protegem os setores, mas as que fomentam a competitividade setorial.

Escrito por:

Estéfano Barioni/Correio Popular