Publicado 17 de Julho de 2021 - 11h15

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

A inflação no Brasil tem atingido elevados níveis. A inflação medida pelo IPCA, o índice oficial de inflação utilizado pelo governo para balizar o sistema de metas, atingiu 8,35% no acumulado de 12 meses. Um valor tão alto não era observado desde setembro de 2016, quando o IPCA de 12 meses acumulava 8,63%.

IGP-M

A inflação medida pelo IGP-M, que também captura a variação de preços aos produtores, tem sido ainda maior. No acumulado dos últimos 12 meses, o IGP-M já registra alta que supera os 30%, o que não acontecia desde maio de 2003. Neste último mês de maio, o IGP-M alcançou 37,04% no acumulado em 12 meses.

FRASE

"No momento, a inflação está bem acima de 2%. A pergunta para o Comitê será: onde isso nos leva em seis meses?”

Jerome Powell, presidente do FED

Aperto monetário

Para combater a inflação, o Banco Central iniciou um ciclo de elevações da taxa básica de juros. O aumento da taxa de juros é o instrumento mais ortodoxo de combate à inflação. Atua na economia reduzindo a quantidade de dinheiro em circulação, pois encarece o crédito e incentiva os consumidores a poupar mais. Como resultado, a demanda se retrai e os preços caem.

Fenômeno global

O aumento dos preços verificado no Brasil faz parte de um contexto mundial. Com a pandemia de covid-19, várias cadeias de produção foram parcialmente interrompidas. A oferta de produtos básicos e semiacabados sofreu interrupções, e esse choque causou impactos no equilíbrio de oferta e demanda, fazendo com que os preços dos produtos disparassem.

Commodities e petróleo

Os preços de alguns metais, commodities agrícolas, e também o preço do petróleo, que são definidos no mercado internacional, impactam os preços no Brasil. A taxa de câmbio adiciona mais um elemento à conta, pois os preços dolarizados do mercado externo impactam ainda mais a economia nacional em um cenário em que o Real permanece com significativa desvalorização.

Inflação nos Estados Unidos

Nesta semana, foi divulgado o índice de inflação nos Estados Unidos para o mês de junho. A inflação mensal norte-americana veio mais alta que o esperado, chegando a 0,9%, enquanto o mercado esperava apenas 0,5%. Com essa variação, a inflação acumulada nos últimos 12 meses nos Estados Unidos chega a 5,4%, ao passo que a meta norte-americana é de 2% ao ano.

Inflação nos Estados Unidos 2

Além disso, também foi divulgado o núcleo da inflação, que representa a evolução dos preços sem considerar os preços da energia e de alimentos, itens naturalmente mais expostos a volatilidades sazonais. O núcleo da inflação também registrou 0,9% no mês de junho (esperava-se 0,4%), chegando a 4,5% no acumulado em 12 meses.

Núcleo da inflação

Quando o núcleo da inflação apresenta alta, é sinal de que a inflação é um problema mais sério, e não reflexo de choques passageiros na oferta de produtos sazonais. Portanto, o mercado teme que o FED, o Banco Central norte-americano, passe a retirar os estímulos monetários da economia, iniciando também um ciclo de ajuste e aperto monetário.

Elevação dos juros

Se os Estados Unidos elevarem sua taxa de juros, passarão a atrair mais recursos que hoje estão investidos em outros lugares. Isso impactará o fluxo mundial de dólares e deve fazer a cotação do dólar subir no Brasil. Além disso, diminuirá a demanda agregada dos Estados Unidos, impactando o crescimento mundial como um todo. Atualmente, os juros norte-americanos estão em 0,10% ao ano, portanto, existe bastante espaço para aumento.

Presidente do FED

O presidente do FED, Jerome Powell, em depoimento ao Congresso, declarou que o Banco Central norte-americano ainda não está pronto para retirar os estímulos monetários, pelo menos enquanto ainda houver defasagem no mercado de trabalho. Nos Estados Unidos, ainda é necessário recuperar 7,5 milhões de empregos para que o mercado de trabalho retorne aos níveis anteriores à pandemia.

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Estéfano Barioni/Correio Popular