Publicado 09 de Junho de 2021 - 15h09

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

Um dos principais problemas que impõem limites ao crescimento econômico é a falta dos recursos necessários para sustentar a produção. Esses recursos podem ser na forma de capital (falta de dinheiro para bancar a produção), trabalho (falta de mão de obra disponível ou qualificada), ou ainda recursos materiais, como a falta de algum insumo, por exemplo.

ENERGIA ELÉTRICA

Um insumo básico na produção é a energia elétrica. Trata-se de uma fonte de energia secundária, pois é gerada a partir de outras fontes energéticas, mas que possui o diferencial de praticamente não ter substitutos, a não ser em algumas aplicações específicas. Sem energia elétrica disponível em quantidades suficientes e a preços razoáveis, não há atividade econômica sustentável.

FRASE

"A infraestrutura é a espinha dorsal do crescimento econômico. Ela melhora o acesso a serviços básicos, como água potável e eletricidade, cria empregos e impulsiona os negócios" (Alok Sharma, político britânico)

GERAÇÃO ELÉTRICA

O Brasil possui uma matriz de geração elétrica onde 64% de toda eletricidade gerada é produzida nas usinas hidrelétricas. Com a maior seca registrada na história tendo atingido a região Centro-Sul do País, onde estão os principais reservatórios de água dessas usinas, aparece no radar a ameaça de que não haja energia suficiente para a retomada econômica e, assim, volta o fantasma do racionamento.

CAPACIDADE DE ARMAZENAMENTO

Mais de 70% da capacidade de armazenamento hidrelétrico localiza-se nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, as duas únicas de fato interligadas em um sistema elétrico único. A região Nordeste abriga 18% da capacidade e o restante é dividido entre as regiões Norte e Sul. E o problema mais grave de abastecimento está em nossa principal reserva, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste.

TANQUE NA RESERVA

O subsistema Sudeste/Centro-Oeste está operando com menos de 32% de sua capacidade total de acumulação. Pode não parecer tão pouco a princípio, pois um terço da capacidade máxima está lá. Porém, chuvas intensas só devem voltar a acontecer no fim do ano. É como começar uma viagem longa de carro com apenas 1/3 de gasolina no tanque e com poucos postos de combustível no caminho.

SITUAÇÃO CRÍTICA

Em algumas usinas, a situação é desesperadora. O reservatório da usina de São Simão, no rio Paranaíba, está com pouco mais de 10% de capacidade. Na bacia do Rio Grande, o reservatório de Marimbondo está operando com apenas 8,9% de sua capacidade e o reservatório de Água Vermelha está em situação ainda mais crítica, com apenas 7,4%.

OUTRAS FONTES

Das outras fontes, a segunda maior contribuição na geração provém das termelétricas a gás, que em 2019 forneceram 10% da energia elétrica gerada. Nesse mesmo ano, as usinas eólicas geraram 9% da eletricidade. Usinas a biomassa geraram outros 9%, usinas a carvão 4%, usinas nucleares 3%, usinas a óleo 2% e a geração fotovoltaica produziu apenas 1% da eletricidade consumida.

CHUVA E INVESTIMENTO

Faltou chuva, mas faltou também investimento. O Brasil ainda padece de maiores investimentos em transmissão que permitam tornar o nosso sistema elétrico único, fazendo com que a energia elétrica gerada em qualquer usina possa ser consumida em qualquer ponto do País. Assim, regiões com maior abastecimento hidrelétrico poderiam fornecer energia excedente às outras. Hoje, essa transferência é limitada.

CHUVA E INVESTIMENTO 2

Faltou também investimento na diversificação de nosso parque gerador elétrico. Apesar da boa participação da biomassa e do crescimento da energia eólica nos últimos 10 anos, é preciso fazer mais. É simplesmente inaceitável que a Alemanha consiga atender mais de 7% de seu consumo elétrico a partir de geração fotovoltaica e nós, com mais irradiação solar, mal chegamos a 1%. Esse é o mais novo 7 a 1.

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Estéfano Barioni/Correio Popular