Publicado 08 de Junho de 2021 - 14h09

Por Estéfano Barioni/Correio Popular

O dólar recuou bastante nos últimos dias, alcançando o menor valor desde 10 de dezembro de 2020. Somente na semana passada, a moeda norte-americana já recuou 3,42%, ameaçando retroceder da marca de R$ 5,00. Considerando a cotação máxima histórica, alcançada em março deste ano, o recuo já é de mais de 14%. Por que isso está acontecendo?

MÚLTIPLOS FATORES

Como usualmente acontece, diversos fatores estão contribuindo para produzir esse efeito, que é a queda do dólar comercial. De um modo geral, esses fatores representam um certo otimismo em relação à retomada da economia e do crescimento, tanto no cenário internacional como no cenário interno brasileiro. Vamos a esses fatores.

FRASE

"O dólar perdeu mais de 90% de seu valor desde que o Federal Reserve foi criado” (Robert Kiyosaki, escritor e investidor norte-americano)

PIB do primeiro trimestre

O PIB brasileiro no primeiro trimestre veio melhor do que o esperado, crescendo 1,2% em relação aos últimos três meses de 2020. Foi o terceiro trimestre seguido de crescimento e, com o aumento, o Brasil retornou ao mesmo nível do PIB do final de 2019, antes da pandemia. Já é um grande avanço, embora ainda estejamos abaixo do máximo da produção econômica, verificado em 2014.

Política monetária

Outro fator que contribui para a queda do dólar é a política monetária do Banco Central, que iniciou um ciclo de elevação da taxa de juros para controlar a inflação. Com juros mais elevados, o Brasil torna-se mais atrativo para investidores internacionais, atraindo um maior fluxo de dólares. A oferta de dólares aumenta e, consequentemente, o seu preço cai.

Inflação

Como a inflação ainda não dá sinais de arrefecimento no curto prazo, o ciclo de aperto na política monetária deve perdurar por bastante tempo. Atualmente, a taxa básica de juros está em 3,50% ao ano. A expectativa dos agentes de mercado é de que o Banco Central continue promovendo aumentos na taxa de juros até alcançar 5,75% no final deste ano e 6,50% no final de 2022.

Commodities em alta

Outro fator que está contribuindo para a queda do dólar é o alto valor das commodities nos mercados internacionais. Com o preço elevado, o volume de exportações aumenta significativamente, também aumentando o fluxo de dólares para o Brasil por meio da balança comercial. A maior entrada de recursos também colabora para reduzir a cotação da moeda norte-americana.

Política fiscal

De outro lado, as preocupações de um rompimento mais abrupto do governo com as metas de compromisso fiscal parecem ter se amainado. O orçamento, bem ou mal, foi aprovado e o cenário fiscal parece se mostrar mais positivo do que as expectativas iniciais. O Real se fortalece com as contas do governo em dia, ou, pelo menos, com a indicação de alternativas para a questão fiscal.

Juros norte-americanos

Na semana passada, foram divulgados os números sobre a geração de emprego nos Estados Unidos, com valores positivos, mas bem abaixo do esperado. A notícia tem um lado bom no sentido de que dará argumentos ao Federal Reserve para manter os juros norte-americanos em patamares baixos, dando mais estímulo à economia.

Juros norte- americanos 2

A elevação dos juros norte-americanos iria reverter os fluxos de dólares para fora do Brasil, dificultando a atração de moeda estrangeira e tornando a retomada da economia mundial mais lenta. Desse modo, juros baixos nos Estados Unidos garantem alta demanda por commodities e grandes fluxos de dólares para o Brasil.

Cenário positivo

O cenário é positivo. A vacinação ganha ritmo com a compra de novas doses, gerando otimismo para a retomada da economia. Por outro lado, a inflação ainda deverá ser um problema por algum tempo e a questão do desemprego precisa ser enfrentada. Em relação ao câmbio, potenciais problemas podem surgir com as eleições, que dominarão a pauta no fim do ano, e com um possível cenário de instabilidade política.

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Estéfano Barioni/Correio Popular