O que já foi um programa simples de final de semana tem se transformado em uma verdadeira experiência sensorial com muitas novidades que cativam cada vez mais os cinéfilos
Luis Rasquilha, CEO da AYR Consulting Worldwide: alta tecnologia completa oferta, mas não substitui ( Divulgação)
Ao longo dos últimos anos, ir ao cinema deixou de ser um programa convencional, tamanha a tecnologia disponível nas salas de exibição. Mais. O que se compra na bilheteria, ou on-line antecipadamente, não é só o ingresso, mas a experiência a ser desfrutada. Por isso, e a fim de se diferenciar no mercado, as redes que atuam na região tem apostado (e investido alto) na oferta de ambientes cada vez mais confortáveis, equipados com o que há de melhor em qualidade de som e de imagem e ampliado a gama de serviços - há até cinema gourmet. O valor dos ingressos acompanha a evolução dos modelos de negócio e, claro, os anseios de cada público. Além do longa-metragem, é possível locar o espaço para eventos e conferências, assistir a óperas e afins, saborear um snack diferente... O que o leva ao cinema? Foto: Divulgação Luis Rasquilha, CEO da AYR Consulting Worldwide: alta tecnologia completa oferta, mas não substitui "Depende da experiência que se quer viver. O preço é sempre atrelado ao benefício que se obtém. Há momentos em que o consumidor não quer investir esse valor por não procurar uma experiência completa e há aqueles nos quais esse mesmo valor é considerado um ótimo investimento. A sala de alta tecnologia vem completar a oferta existente, mas não substituí-la na totalidade", avalia o Luis Rasquilha, CEO e fundador da AYR Consulting Worldwide, uma das mais importantes empresas de consultoria em tendências e inovação da atualidade. Num vislumbre ponderável, perspectiva para os próximos cinco anos, ele considera que o envolvimento será cada vez mais crítico. Cinemas 6D, afinal, já estão disponíveis em pequena escala, vide as minissalas de exibição acolhidas nos shoppings nos períodos de férias escolares. "A interatividade e a holografia ganharão cada vez mais espaço. A busca por conteúdos adicionais ao filme, o entretenimento associado e a interação entre pessoas e conteúdo (muitas vezes pela segunda tela, ou seja, uso de gadgets como smartphones e afins durante a sessão) devem ser considerados pelas redes de cinema, numa visão mais completa de estímulo aos cinco sentidos", pondera. VIP e Gourmet Há boas opções disponíveis nas redes de cinema que atuam na cidade. Uma das salas mais modernas da região foi inaugurada em meados de fevereiro no Kinoplex, do Grupo Severiano Ribeiro, no Parque D. Pedro Shopping, em Campinas. O espaço conta com a tecnologia IMAX, que permite a exibição em resolução altíssima e em um telão de fato - são 170 metros quadrados de tela, dimensões de 17,5 x 9,75 metros. A qualidade do som, afinado a laser, também se revela superior à percebida nas salas convencionais. Os experts explicam que isso se deve ao processo de haver remasterização dos filmes originais, que demanda, em média, até uma semana para ser concluído. Resultado? Sensação de imersão na trama, quer em produções 2D ou 3D. À época da inauguração, a gerente nacional de marketing da rede, Patrícia Cotta, destacou ao Caderno C, do Correio Popular, o potencial de Campinas para aportes de investimento milionários - somente a sala Imax, 11a do tipo ativa no País, recebeu cerca de R$ 5 milhões. "Manter 15 salas com um resultado bom não é fácil e aqui o retorno é excelente. O mercado tem demanda por serviços diferenciados e, portanto, foi fácil escolher a cidade para implantar o IMAX", disse. Quanto vale "a inteira"? De R$ 26 a R$ 38, dependendo de tipo da projeção, horário e dia da sessão. Em julho do ano passado, a Kinoplex também trouxe para a cidade duas salas Platinum, com capacidade para 59 e 80 pessoas. Por lá, além dos sistemas de som e imagem de última geração, vigora o conceito VIP/exclusive: o cliente tem acesso a bilheteria, itens de bombonière e banheiros exclusivos e, no acesso à sala, há um foyer decorado de maneira mais elegante. Nas salas de projeção, mais conforto e comodidade. Se desejar, o cinéfilo pode se refestelar nas poltronas reclináveis, mais espaçosas, privativas e equipadas com descanso para pernas e aparador retrátil (mesinha). Quanto vale o show? Os ingressos variam de R$ 30 a R$ 42, dependendo do horário e dia da sessão. Foto: Leandro Ferreira/ AAN Todo conforto em experiência a ser desfrutada Logo a rede Cinemark deve fazer frente à concorrência também no quesito VIP/gourmet, conceito que implementou de forma pioneira no País e deve chegar ao Shopping Iguatemi Campinas ainda este ano. As salas Bradesco Prime que já estão ativas no Brasil contam com poltronas que seguem o conceito da classe executiva dos voos internacionais, cardápio elaborado pela chef Morena Leite, carta de vinhos, atendimento diferenciado desde a bilheteria e serviço de snack bar que, ao menos conceitualmente, pode ser entregue diretamente na sala. Preços? No Shopping Cidade Jardim, o ingresso para uma sessão Prime 3D custa de R$ 48 a R$ 60. Hoje, no total, a rede acomoda 2.189 espectadores no complexo do Shopping Iguatemi. São oito salas. Três delas contam com projetores 3D, mas a grande atração é a sala XD (Extreme Digital), que apresenta uma tecnologia exclusiva da rede, com tela 40% maior do que a convencional (do chão ao teto) e som sete vezes mais potente. Por meio da assessoria de imprensa, a Cinemark adianta que "pretende expandir e oferecer outras atrações em Campinas, em breve". É provável que a D-BOX, disponível em shoppings como o Villa Lobos, em São Paulo, chegue à cidade, mas nem o Shopping Iguatemi nem a Cinemark confirmam, por enquanto. O sistema não prevê aromatização do assento ou chuvisco e fumaça sendo expelidos, mas a intensidade das vibrações e dos movimentos pode ser modulada pelo consumidor - as salas estão presentes em sete complexos. Entre os serviços dos quais a rede dispõe figuram o cinemeeting (transmissão ao vivo e via satélite de eventos corporativos), o aluguel de salas e a compra antecipada de ingressos - via aplicativo para mobile, inclusive. Já o Cineflix do Galleria Shopping anuncia que, em breve, as cinco salas disponíveis estarão melhores. O cinema "está passando por uma reforma drástica no momento, com destaque para a sala 5, que passará a ser uma sala VIP. O término está previsto para o final deste semestre", adianta o gerente de marketing, Juliano Tortelli. O espaço já conta com sistema de projeção 3D e sistemas Dolby Digital e NEC, esses últimos comuns às demais salas do complexo. Graças aos investimentos em tecnologia adotados pelo grupo, as salas digitais foram pioneiras em ganhar novos usos. Concertos e óperas, como a temporada 2012-2013 da Ópera de Paris; shows ao vivo, como o do grupo Los Hermanos, em meados de 2012; e, mais recentemente, a final do torneio interclubes da Europa, a Uefa Champions League, ao vivo em 3D, atraíram espectadores. Enquanto a sala VIP do Cineflix Campinas não chega, a marca destaca o serviço de atendimento 1LINE!, que prevê fila única para compra de ingressos e itens da bombonière. A ideia é boa, mas nos dias de maior movimento (e quando há lançamentos muito esperados), não é raro flagrar longas filas de espera em frente à bilheteria. Se comprar ingressos numerados nos totens ou pela internet facilita a vida, por que, afinal, o hábito não pega, devem se perguntar alguns leitores que já optaram pelo uso da facilidade. Realidade ampliada Foto: Divulgação Tecnologia IMAX do Kinoplex: telão, de fato A rede Cinépolis foi uma das pioneiras a investir na tecnologia 4DX, disponível, por ora, em quatro salas brasileiras, em São Paulo (Shopping JK Iguatemi), São Bernardo do Campo, Curitiba e Salvador. Além de assitir aos filmes em três dimensões, quem se senta em uma das poltronas hi-tech - que ocupam o espaço equivalente ao de seis assentos tradicionais - se vê imerso em sensações, pois as mesmas estão equipadas com tubos de ar e água e podem ser programadas para realizar movimentos e vibrar. Se haverá uma sala assim em breve no Campinas Shopping, onde a rede opera desde 2011, quando comprou a Box Cinemas (que legou a Campinas a primeira sala 3D, em 2008), ainda não se sabe. A Metrópole procurou a rede, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. Já a Moviecom Cinemas, que opera as salas do Shopping Unimart Campinas, informa que está em processo de finalização da digitalização no cinema das salas campineiras. "Até o final de abril, o cinema estará 100% digital com equipamentos NEC de última geração e sistema de som 7.1. Três das seis salas existentes estão com formato Scope (preenchimento total da tela). Nossa principal sala lançadora é a 6, com capacidade para 189 lugares e equipada com tela gigante e supersom 7.1 EX", explica Raphael Frossard, do setor de administração e operações da rede. Por lá, a compra de ingressos integrada aos itens de bombonière e o aluguel de salas para eventos também já é realidade. Na região dos bairros Campo Grande e Ouro Verde, os cinemas também estão preparados para bem receber os espectadores. No Shopping Spazio Ouro Verde, que possui quatro salas de cinema, todas digitais, há confortáveis poltronas em couro. O áudio já é do tipo 7.1 e duas salas possuem tecnologia 3D. Sem novidades, por enquanto, em relação a investimentos da rede Cinesercla, segundo a assessoria de imprensa do shopping. No Multiplex Cine Araújo do Shopping Parque das Bandeiras, inagurado em 2012, o destaque das salas de exibição fica por conta das "Max Screen, disponíveis em duas das seis salas. Por lá há 1.427 lugares disponíveis, no total. Uma das telonas tem dimensões de 22,5 x 12,71 metros (o padrão básico é de 12 x 5,1 metros), ou seja, 290 metros quadrados, considerada uma das maiores do Brasil. Há, ainda, uma sala VIP, com cadeiras reclináveis. A rede conta também com o sistema IMM (Immersive Sound System, ou sistema de som de imersão), que permite a reprodução de "três dimensões de áudio". O valor do ingresso VIP tem vantagem em relação a outros praticados noutros cinemas: a inteira custa R$ 20 nas sessões mais caras. Por enquanto, cartões de débito não são aceitos na bilheteria, problema que tem culminado em filas nos dias de maior movimento e que, de acordo com o shopping, está sendo resolvido junto às operadoras. Custo x benefício Apesar do avanço tecnológico das salas de exibição, há quem se ressinta da programação disponível. Caso do editor de imagem João Solimeo, cinéfilo assumido e crítico de cinema. Ele confessa, por exemplo, que ainda não conheceu a sala Imex, mas já assistiu a um filme na sala Platinum - ambas da rede Kinoplex, no Parque D. Pedro Shopping. "Também já ouvi falar muito bem das salas de cinema do Shopping Parque das Bandeiras, mas a maioria dos filmes que me interessou assistir só estava disponível por lá em versão dublada, algo cada vez mais comum, de maneira geral, nas salas de cinema de Campinas, o que é uma pena", avalia. Ele é um dos "órfãos" do Cine Topázio, que funcionava no Parque Prado e fechou em novembro do ano passado. Graças a iniciativas especiais de redes como Cineflix (Galleria Shopping) e Cinemark (Shopping Iguatemi Campinas), algumas sessões de filmes de arte ainda têm hora e lugar, vide Projeto Belas Artes e Sessão Cine Cult, respectivamente. Uma das maiores redes, a Cinemark, explica, por meio da assessoria de imprensa, que a "distribuição dos títulos é negociada antecipadamente com as empresas" e "feita a partir da disponibilidade de cópias e da análise do resultado de bilheteria, levando em conta critérios como o interesse do público das diferentes regiões e o gênero de cada filme". Solimeo pondera, ainda, que a facilidade de efetuar a compra de ingressos on-line conta pontos a favor das redes. "Mas é uma faca de dois gumes. Se, por um lado, tem-se a garantia do assento, por outro não se pode, nesses casos, trocar de poltrona caso você se sinta incomodado por alguém que teima em usar o celular ao seu lado durante a exibição, por exemplo. Adoro ir ao cinema. Talvez o problema seja o comportamento do público, que anda muito chato", destila. O que dizer, então, do espectador que "se esquece" de cuidar do próprio lixo? Ponto negativo para o público, trabalho dobrado para os funcionários dos cinemas.