RIBEIRÃO PRETO

Cidade vê mais veículos recolhidos por dívidas

Mandados de apreensão por falta de pagamento atingem recorde; a maior dos últimos seis anos

Da Redação
26/02/2013 às 10:24.
Atualizado em 26/04/2022 às 03:13
Tráfego congestionado em ponto de Ribeirão: facilidades para compra de veículos facilitam inadimplência (Fabio Melo)

Tráfego congestionado em ponto de Ribeirão: facilidades para compra de veículos facilitam inadimplência (Fabio Melo)

Um total de 350 mandados de busca e apreensão de veículos por falta de pagamento foram emitidos em janeiro pelo Cartório Distribuidor do Fórum de Ribeirão Preto. A quantidade é a maior dos últimos seis anos para o período e 57,6% superior aos 222 do mesmo mês do ano passado. Os dados foram compilados pelo Instituto de Economia da Associação Comercial e Industrial (Acirp).

Antes, o maior número havia sido registrado em 2008, quando foram emitidos 250 mandados de busca e apreensão. “A renda cresce com o aumento dos salários e dos dissídios coletivos, no entanto, diminui com o avanço da inflação”, analisou o diretor do instituto, Antonio Vicente Golfeto. Segundo ele, tal avanço pode ser o começo de um desarranjo na economia, refletido já no aumento no número de apreensões.

Em janeiro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a alta nos preços em Ribeirão chegou a 2,3%, maior percentual desde que os preços passaram a ser sistematicamente mensurados na cidade, em novembro de 2003. A maior parte deste aumento (70%) deve-se ao reajuste feito pela Prefeitura no IPTU, cujos valores subiram, em média, 63,2%.

Somado a isso, desde 2012 as vendas de veículos não vêm mantendo os bons números de anos anteriores. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a quantidade de automóveis vendidos no município chegou a 20.503 unidades ano passado, número somente 0,1% superior às 20.482 de 2011.

Além disso, o fenômeno não se restringe a Ribeirão. Em Sertãozinho, por exemplo, as vendas de 2012 alcançaram 4.534 unidades, redução de 3,3% ante as 4.687 do ano anterior. Em Franca também houve queda: de 10.127 para 10.031 (-1%)

Para o economista e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), Alberto Borges Matias, no entanto, outros fatores além do mercado são importantes para haver mais apreensões. “Janeiro não é um bom mês de comparação. Muita coisa do ano anterior pode ter ficado acumulada, até mesmo uma recuperação dos processos no judiciário. A inadimplência em si não está tão grande assim.”

Saldo de títulos protestados tem queda 

Se a inadimplência aparece nos dados relativos a veículos, em outros, o movimento é contrário. Em janeiro, R$ 5,64 milhões foi o saldo de títulos protestados por falta de pagamento em Ribeirão, valor 7,6% inferior aos R$ 6,1 milhões do mesmo mês do ano passado. O montante para o mês é o menor desde 2011, quando foram protestados R$ 5,08 milhões.

A diminuição na quantidade de títulos protestados por falta de pagamento no princípio de 2013 mantém tendência do ano passado de redução da inadimplência, em especial a partir do segundo semestre. Dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) em Ribeirão informam que 155,7 mil dívidas foram computadas em 2012, redução de 4,5% ante as 162,9 mil de 2011. 

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