TADEU FERNANDES

Chega de tortura

Tadeu Fernandes
igpaulista@rac.com.br
15/06/2015 às 05:00.
Atualizado em 23/04/2022 às 10:46

Hoje, Paulinha tem uma consulta agendada com seu pediatra. Rotina, ou como dizemos na pediatria, uma consulta de puericultura. É o momento onde os pais relatam como foram as últimas semanas da criança, os hábitos alimentares, do sono, higiene e comportamento. O pediatra pesa, mede, examina e analisa se a criança está dentro dos padrões da normalidade.É importante que a criança, desde o nascimento, tenha um mesmo pediatra, afinal, ele vai conhecendo, consulta a consulta, o desenrolar da criança, além de criar um relacionamento que chamamos de “relação médico – paciente”, no caso, uma tríplice aliança: pais — filhos — pediatra e, de vez em quando, avós.Habitualmente, até aos seis meses, durante a consulta e exame clínico, quase todas se comportam bem, vez ou outra um chorinho pela falta do colinho da mãe.Mas, a partir dos oito a nove meses, começam as brigas e o choro. Sabemos que fazem parte das consultas pediátricas. Ninguém gosta de tirar a roupa, ser apalpado, apertado, ter o ouvido manipulado por um aparelho pontiagudo e o palitinho para ver a garganta, arg.... Que coisa horrível! Nessa idade, as crianças começam a tomar consciência de que estamos invadindo seu espaço, como ninguém à sua volta lhes faz! Por muito que os pais lhes expliquem (durante a observação), que é para o bem deles, que ninguém lhes faz mal, nada, nem ninguém os convence. No entanto, é mesmo necessário, porque na verdade, não há outra maneira de serem observados.Não é fácil para eles, nem para nós, a partir da idade dos oito a nove meses até os 30 a 36 meses, conte com muito choro, muita raiva e revolta. Contudo, como costumo dizer nas minhas consultas: a partir dos dois anos e meio a três anos, fazemos as pazes para todo o sempre, e nasce uma história de amor e parceria.Entretanto, no dia a dia, nos deparamos com pais e avós torturadores, verdadeiros carrascos! Ontem me deparei com um desses, quando chamei Maria Paula. Na sala de espera, uma pequena de quase três anos. Linda, com seus cabelos cacheadinhos, uniforme impecável da escolinha e uma Pepa Pig à mão, começou o berreiro; grudou no ombro da mãe e chorava, a cada passo que a mãe dava em direção à sala, aumentava o estridor do choro, ao lado o pai cochichava no ouvido da pequena, e ela gritava mais alto ainda. Quando entraram, ela olhava para minha cara e chorava...Perguntei à mãe se ela sabia o motivo do choro, ela simplesmente responde, com todo pediatra é assim...Conversa vai e conversa vem, ao som do chorinho infantil, descobri o mistério quando pedi para colocar a menina na maca para ser examinada, e o pai emendou...— Vai, ou médico vai dar uma injeção desse tamanho! Disse, alinhando a fala com o gesto das mãos se distanciando.Maria Paula olhou de novo para o médico e volta a gritar.Perdi a paciência e disse:— Pediatra não dá injeção em criança, somente em papai idiota! De preferência na língua...Todos ficaram quietos, até a Paulinha, deixou examinar numa boa, e ainda ganhou do pediatra um palitinho colorido com sabor.Finalizamos a consulta sob silêncio, só na saída o troglodita disse...— Paulinha, papai não vai trazer você outra vez nesse médico sem educação...Aproveitei a deixa e emendei:— Sim, Paulinha, se você vier, vai ganhar um pirulito e o papai vai tomar uma injeção desse tamanho na língua!Ela simplesmente, sorriu!

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Anuncie
(19) 3736-3085
comercial@rac.com.br
Fale Conosco
(19) 3772-8000
Central do Assinante
(19) 3736-3200
WhatsApp
(19) 9 9998-9902
Correio Popular© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por