JOGO RÁPIDO

Carlinhos, Parte I

Coluna publicada na edição de 23/6/15 do Correio Popular

23/06/2015 às 15:28.
Atualizado em 28/04/2022 às 15:39

Morreu segunda-feira no Rio de Janeiro, aos 77 anos, um dos maiores volantes da história do Flamengo. Carlinhos jogou no clube carioca por 12 anos e mais tarde viria a fazer sucesso na Gávea como treinador também. Além do seu time de coração, treinou apenas outros dois clubes, Guarani e Remo.Uma de suas passagens pelo Brinco de Ouro foi marcante. O Guarani fez uma péssima campanha no Paulistão de 1996. Em 30 jogos, o time foi dirigido por nada menos do que seis treinadores. Carlinhos foi o quarto deles.O Bugre começou o ano sob comando de Sérgio Ramirez. Durou três jogos. Gersinho foi técnico interino num jogo contra o São Paulo, no Pacaembu. O Tricolor fez 4 a 0, mesmo placar pelo qual o time já havia perdido para o Mogi Mirim, em casa, na estreia. Em seguida veio Fito Neves. Empatou em casa com a Portuguesa, perdeu fora para o Corinthians e caiu. Depois foi a vez de Cabralzinho, vice-campeão brasileiro pelo Santos no ano anterior. Estreou com vitória, mas foi demitido após nove partidas. Nos seus últimos quatro jogos, perdeu para América, Botafogo, Rio Branco e Araçatuba.O presidente do Guarani, Beto Zini, resolveu então ir atrás de Carlinhos. A essa altura, o time tinha aproveitamento de 20%. A situação era crítica, já que o Paulistão tinha 16 times e os três últimos seriam rebaixados.O começo de Carlinhos não foi dos melhores. Empatou com Mogi Mirim (fora) e União São João (em casa) e em seguida perdeu para o Juventus na Javari e para o São Paulo, no Brinco. O aproveitamento, que já era péssimo, caiu para 19,3%.Carlinhos resistiu ao início ruim e então deu início a uma reação incrível. Venceu a Portuguesa por 1 a 0 no Canindé, repetiu o placar em casa diante do Corinthians e voltou a vencer fora de casa (2 a 1 na Ferroviária). Recebeu o Novorizontino e emplacou o quarto triunfo consecutivo, também com o placar de 2 a 1.A improvável sequência de vitórias mudou o ambiente no clube, às vésperas de um jogo dificílimo contra o Palmeiras, que tinha um timaço e foi campeão com um pé nas costas (fez 28 pontos a mais do que o vice-campeão São Paulo).Curiosidades da preleção, o resultado do jogo e a inesperada decisão de Carlinhos no dia seguinte ficam para a coluna de amanhã.Carlinhos era um personagem diferente no mundo do futebol. Humilde, sempre tranquilo e avesso à badalação, escreveu seu nome na lista de grandes ídolos do Flamengo.E, nas raras vezes em que trabalhou fora da Gávea, deixou sua marca também no Guarani.

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