Item obrigatório e essencial para a segurança de motociclistas, capacete ainda é deixado de lado

Ao longos dos anos, modelos ganharam cores e preço ficou mais atrativo (César Rodrigues/AAN)
Os capacetes chamam a atenção nas ruas pelas diferentes formas e cores, mas destacam-se mesmo por sua função: salvar vidas. Ao longo dos anos o processo de fabricação e os materiais utilizados evoluíram bastante e o item deixou de ser um simples acessório para se tornar ferramenta essencial na proteção do motociclista. No entanto, apesar de custar relativamente pouco, são muitos os motociclistas que negligenciam seu uso e circulam fora da lei e desprotegidos.Em Campinas, os produtos com certificação do Inmetro são encontrados a partir de R$ 44,90. Mesmo assim, tem quem arrisque a vida sobre duas rodas sem a proteção adequada. Proprietária da Casa do Motoqueiro, loja especializada que comercializa capacetes de cinco marcas diferentes, Patrícia Karen Queiroz conta que os modelos mais em conta representam até 70% de suas vendas. A acessibilidade do preço, no entanto, não deve ser levada em conta em todos os casos, explica a profissional. “Um capacete barato não é recomendado para motos velozes. Nesses casos a pessoa deve procurar um produto mais resistente, confortável e seguro, que custa um pouco mais.”No ramo de acessórios para motos há 15 anos, Patrícia destaca que o final do ano registra um aumento de até 30% nas vendas de capacetes, fruto da chegada de novos produtos e promoções. Prazo de validadeQuem adquire um capacete precisa ficar esperto com a validade do produto, alerta o professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, Antônio Celso Fonseca de Arruda. O prazo deve ser levado em conta até mesmo para acessórios que permaneceram na caixa sem nunca terem sido usados.“O capacete é um dos poucos itens com certificação obrigatória. O material enrijece e fica mais suscetível a quebra em caso de queda e não irá absorver o impacto”, alerta o especialista em segurança.Segundo Arruda, a validade do item foi estabelecida após testes de queda contra barreira, o chamado drop test, feitos com repetição. Além do acessório os itens anexos — queixeira e viseira — também são complementos importantes à segurança dos motociclistas, razão pela qual o capacete “coquinho” (sem a parte debaixo) tem o uso proibido no Brasil.O tamanho adequado do item também conta muito na eficiência da proteção do crânio e, de acordo com o especialista, não pode ser muito folgado.O ideal, ensina o professor da Unicamp, é que o capacete fique um pouco desconfortável, até porque a tendência é que a espuma ceda um pouco conforme o uso. Uma forma rápida e fácil de verificar se o tamanho escolhido é o correto é colocar o capacete, afivelar a presilha do queixo e virar a cabeça para o lado e depois retornando à posição inicial. O mesmo teste vale para o movimento de inclinar a cabeça. Se o acessório virar juntamente com o movimento do pescoço é o tamanho ideal. ‘PORIA ATÉ EM CARROCEIRO’ Neuro“Poria até em carroceiro”. Com esta frase médico Nubor Orlando Facure, diretor do Instituto do Cérebro em Campinas e ex-professor titular de neurocirurgia da Unicamp, reforça a importância do uso do capacete como item de proteção. Ocorre que diferentemente da facilidade na aceitação do cinto de segurança por motorista e passageiros, o capacete esbarra no peso e no calor provocados no usuário, incômodos que fizeram o item de segurança ser negligenciado por muitos condutores que acabaram multados pela infração.Desde 2000 o uso do capacete passou a ser obrigatório e entra na lista de ações, citadas por Facure, como as mais importantes para a prevenção de acidentes de trânsito: redução de velocidade nas estradas, cinto de segurança, uso do capacete e cadeirinha do bebê. De acordo com o médico, o acessório aumenta em 80% a proteção da cabeça em um acidente, principalmente por proteger a região da têmpora — parte do crânio ao lado dos olhos —, por onde passam importantes artérias e neurologicamente onde há maiores riscos de formação de coágulos. Dependendo da velocidade e das condições do acidente, o choque provocado em um acidente com moto gera toneladas no impacto, efeitos com resultados ainda piores em quem está sentado na garupa e sem qualquer apoio. “É fundamental o reforço na parte lateral da cabeça”, diz Facure.Na área há mais de 50 anos, o médico atendeu 180 mil pacientes e defendeu tese na área de trauma de crânio. Um trabalho comparativo realizado pelo especialista em parceria com a Unicamp aponta que o trauma de crânio desencadeia o mais alto custo social e financeiro em relação às sequelas deixadas por outros tipos de traumas. Facure atuou por 30 anos no setor de neurocirurgia da Unicamp onde atendeu mil pacientes de trauma por ano, e confirma que o uso do item de segurança reduziu em 12% o índice de pacientes com sequela.