SUMARÉ

Visitas a presos são proibidas após ataques a dois agentes

Um morreu baleado nesta quinta-feita (18) à noite, e o outro segue internado no hospital de Sumaré

Alenita Ramirez
18/07/2015 às 11:28.
Atualizado em 28/04/2022 às 17:04
Camisas de agentes penitenciários foram pintadas com tinta vermelha e receberam furos imitando buracos de bala durante protesto: ordem de ataques partiu de dentro do CDP, segundo eles ( Dominique Torquato/ AAN)

Camisas de agentes penitenciários foram pintadas com tinta vermelha e receberam furos imitando buracos de bala durante protesto: ordem de ataques partiu de dentro do CDP, segundo eles ( Dominique Torquato/ AAN)

Agentes penitenciários do complexo Campinas/Hortolândia iniciaram nesta sexta-feira (17) um protesto em repúdio aos atentados contra funcionários da categoria nos últimos dias. Segundo os agentes, as visitas deste final de semana estão canceladas. Apenas 30% dos serviços considerados essenciais, do complexo penitenciário, estão ativos, como entrega de alimentação, liberdade e saída de emergência (saúde). O Secretário da Administração Penitenciária informou ontem que as visitas estão suspensas no Centro de Detenção Provisória (CDP) por duas semanas. Em menos de dez dias, foram dois atentados, segundo os servidores. Anteontem, um agente foi assassinado a tiros no entroncamento das rodovias D. Pedro I e Anhanguera, e no dia 9, outro profissional foi ferido a tiros quando chegava em casa. Os atentados, segundo os trabalhadores, foram ordenados por dois presos do CDP, por meio de uma carta que saiu do presídio após uma visita de familiares e amigos. As ameaças partidas de integrantes do PCC começaram no início do mês passado. Em uma das determinações, os presos teriam pedido a morte do diretor de disciplina e depois de dois agentes. As denúncias foram oficializadas à direção do presídio, mas, segundo os servidores, nada foi feito. “Esperam matar pessoas inocentes para depois tomarem atitudes. Até quando vai este descaso?”, questionou um agente que não quis ser identificado. Os funcionários pedem atenção do Estado para as denúncias de atentado e também segurança. A manifestação começou por volta das 6h, com a paralisação parcial dos serviços das seis unidades que compõem o complexo: duas unidades do CDP, duas penitenciárias e duas do regime semiaberto, que abrigam cerca de 10 mil presos. Na segunda-feira será realizada uma assembleia para decidir se será mantido o protesto. No mesmo dia também está previsto pelo Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp) o início de uma greve contra o descumprimento do acordo de punição de agentes participantes de greves, feito no ano passado pelo Estado. No caso da manifestação de ontem, o Sindasp apenas deu apoio aos agentes. Ao menos 250 funcionários são lotados no complexo, mas cerca de 30 participaram do protesto. Os manifestantes usaram camisetas e faixas com marca de sangue e frases de luto. Nenhum preso das duas unidades do sistema semiaberto foi liberado para trabalhar. Os agentes também impediram a entrada de advogados e ao menos seis viaturas com presos foram impedidas de entrar no complexo até ao meio-dia. Três delas tinham saído de Guareí, cerca de 250 km do complexo, com 50 presos, que ficaram irritados e chutaram o baú das viaturas. “Os agentes estão revoltados e querem medidas severas do Estado, como a punição de presos em caso de falta de disciplina”, disse o diretor do Sindasp, Carlos Rufino.Um dos presos acusados de ser o mandante dos atentados prestou depoimentos no 1º Distrito Policial (DP) de Hortolândia e depois transferido para o presídio de Avaré. Ele cumpre pena por roubo, homicídio, sequestro e tráfico e deve ficar no local por cerca de seis meses, mas este prazo pode ser estendido por mais seis meses. O presídio tem sistema de funcionamento diferenciado, não há TV, rádio e as visitas duram duas horas. O outro mandante, que cumpre pena por roubo, ficou no CDP. A transferência foi uma exigência dos agentes. Falta de segurançaPara os agentes penitenciários falta segurança no complexo. Segundo eles, na semana passada a mulher de um agente viu um drone sobrevoar o presídio e avisou os funcionários. Além disso, a área em frente a portaria de circulação, que é restrita, não é respeitada. O local, segundo os funcionários, vive com carros parados, onde os motoristas e acompanhantes ficam monitorando e tirando fotos da entrada e saída de pessoas. “A gente não sabe o que essas pessoas querem. Ontem (quinta-feira) tinha dois motoqueiros aqui na frente”, comentou um agente.Na semana passada, dois agentes foram perseguidos por uma dupla em uma moto por cerca de 500 metros. “Esses profissionais precisam de mais segurança. A Secretaria (de Administração Penitenciária) precisa dar coletes e armas para os agentes ficarem 24h. Alguns trabalham com armas, mas saem do serviço desarmados”, disse a presidente da Comissão dos Direitos Humanos dos Profissionais de Segurança Pública (Afapesp), Adriana Borgo. Segundo ela, cerca de quatro horas antes da execução do agente o Sindicato dos Agentes de Escolta e Vigilância Penitenciária (Sidespe) tinha reforçado junto à Secretaria de Administração Pública (SAP) pedido para ceder armas 24h para os agentes. Em nota, o 47º Batalhão da Polícia Militar, de Campinas, informou que é feito o policiamento preventivo na parte externa do Centro de Detenção Provisória de Campinas e Centro de Progressão Penitenciária Professor Ataliba Nogueira, pertencentes a área territorial do Batalhão.A Secretaria da Administração Penitenciária informou que a investigação do crime será realizada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e que as visitas estão suspensas no CDP por duas semanas. Veja também Agente penitenciário é morto a tiros na Anhanguera O agente tinha acabado de sair do trabalho no Complexo Penitenciário Ataliba Nogueira, onde atuava na área médica. Testemunha disse que autor dos disparos estava em moto  

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