FECHANDO O CERCO

Vini Oliveira é alvo de operação da Polícia Civil e do Ministério Público

A ação contra o vereador cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em Campinas e Paulínia

Mariana Camba/mariana.camba@rac.com.br
04/06/2026 às 16:19.
Atualizado em 04/06/2026 às 16:19

Policial chega à sede da Polícia Civil com parte do material coletado na operação de ontem (Rodrigo Zanotto)

O vereador de Campinas Vini Oliveira (Cidadania) foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público do Estado (MP), por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na manhã de ontem (3). A ação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em Campinas e Paulínia, incluindo o gabinete do vereador na Câmara Municipal, a residência do parlamentar e a sede da empresa Smile Transportes, em Paulínia. 

A empresa também é alvo da investigação, que apura o possível pagamento e consequente recebimento de vantagens indevidas pelo parlamentar. Foram apreendidos documentos, anotações, pen drives, em torno de R$ 30 mil em dinheiro, celulares e outros dispositivos do vereador, de seu chefe de gabinete, Marco Antônio Castigleri, e dos empresários presentes na reunião gravada e divulgada na última semana. 

A investigação toma como base as gravações que registraram visitas do vereador à sede da Smile Transportes, do grupo Rhema Transporte, que é uma das vencedoras da licitação do transporte público coletivo da cidade. As imagens flagram Vini deixando o local com um malote e envelopes na companhia de seu chefe de gabinete, Marco Antônio Castigleri. 

“As investigações apuram se houve pagamento e consequente recebimento de vantagens indevidas por parte do agente público, que se fez presente na sede da empresa de transporte de ônibus no dia 1º de abril, onde participou de uma reunião gravada”, informou por meio de nota a Polícia Civil, ao ressaltar que as provas coletadas contribuirão com o curso das investigações. 

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) ressaltou ainda que a análise apura possíveis irregularidades envolvendo o parlamentar e os empresários do setor de transporte coletivo, tendo em vista que as imagens revelam “possíveis irregularidades em uma licitação pública”. 

As medidas foram cumpridas por equipes do Núcleo Especial de Combate aos Crimes Econômicos e Contra a Ordem Tributária (Neccold), da Divisão de Investigações Gerais (DIG), da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Campinas, com acompanhamento do Gaeco. 

A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o caso, que será seguido da expedição de mandados pela Justiça. “Os participantes da reunião agora são alvos de uma investigação que busca verificar a suspeita de recebimento de valores supostamente desviados do setor público”, ressaltou a nota da corporação. 

A assessoria do parlamentar esclareceu que ele permanece internado, após uma suposta tentativa de suicídio, sem previsão de alta. A respeito da operação, o posicionamento diz que Vini aguarda o desenrolar dos fatos e o avanço das investigações para que todos os esclarecimentos necessários sejam realizados de forma transparente e responsável. 

A Câmara Municipal de Campinas informou que a operação ocorreu por volta das 7h de ontem (3), momento em que os policiais civis estiveram na sede do Poder Legislativo com mandado de busca e apreensão no gabinete de Vini Oliveira. “Os policias levaram pen drives que estavam conectados aos computadores do gabinete”, relatou a nota. 

A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) também se pronunciou sobre o caso e esclareceu que a Smile Transportes não opera o transporte público coletivo de Campinas. “Cabe ressaltar que o foco da investigação não é o processo de licitação. Porém, como é uma das empresas que compõe um dos consórcios vencedores da licitação, a Emdec acompanha a investigação e tem interesse no esclarecimento dos fatos”, concluiu a nota da Emdec. 

A Smile Transportes e Turismo Ltda. se posicionou por nota sobre a operação e informou que está prestando todos os esclarecimentos, disponibilizando informações necessárias às autoridades competentes e colaborando com as investigações para que os fatos sejam devidamente apurados. “A empresa reafirma a plena confiança na Justiça”, concluiu a empresa. 

COMISSÃO PROCESSANTE 

Na última segunda-feira (1º) foi instaurada por unanimidade, com 29 votos favoráveis, uma Comissão Processante (CP) contra o vereador Vini Oliveira para apurar eventual ato de corrupção, improbidade administrativa e quebra de decoro parlamentar. Segundo o presidente da CP, Paulo Haddad (PSD), o parlamentar será notificado do procedimento na próxima semana. A ação não ocorreu até o momento pelo fato de o parlamentar estar internado em consequência de uma suposta tentativa de suicídio no último domingo (31). 

Caso Vini não seja encontrado, um comunicado será publicado no Diário Oficial do Município. A partir da notificação, o vereador terá o prazo de dez dias para apresentar uma defesa prévia e a CP será concluída em 90 dias. A CP solicitará ainda a íntegra dos vídeos que registraram as visitas do vereador à sede da Smile Transportes. Ao final do processo, acrescenta o presidente da CP, um relatório será apresentado em plenário para indicar o possível pedido de condenação ou absolvição do parlamentar, decisão essa que será votada pelos vereadores, assim como ocorreu para a abertura da CP. 

Para Haddad, a abertura da Comissão é negativa para a Câmara Municipal por macular a imagem da Casa. A CP, de autoria da vereadora Mariana Conti (PSOL), é formada por Paulo Haddad (PSD), presidente; Otto Alejandro (PL), relator; e Dr. Yanko (PP), membro. 

CORREGEDORIA 

O vereador Benê Lima (PL) protocolou uma representação junto à Corregedoria da Câmara Municipal alegando possível quebra de decoro parlamentar de Vini Oliveira (Cidadania). A ação foi motivada pelas falas homofóbicas proferidas por Vini durante conversa com empresários gravada na sede da Smile Transportes em abril. Benê teve acesso ao vídeo que registrou o momento e disse que considerou o diálogo como “uma conversa de bar”, mas que foi preciso formalizar a denúncia. 

“Ele disse quatro inverdades, que eu tenho relação com quatro assessores, o que não procede. Além de dizer que eu “passo a mão” nos vereadores, que é algo que não tem cabimento algum, pois jamais faltaria com o respeito com um amigo ou colega parlamentar. E me acusou de sair com um amigo pessoal que é juiz, outro absurdo”, detalhou Benê.

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