Quase 40% da população usa o carro para se deslocar entre as 19 cidades

Carros, vans, caminhão e motos em trecho com trânsito pesado na Avenida Prestes Maia: prioridade ao transporte individual (Leandro Ferreira/AAN)
Pesquisa divulgada ontem pela Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos aponta que a maioria das pessoas que residem na Região Metropolitana de Campinas (RMC) se locomove em carro ou a pé. Juntos, esses modais representam 63,3% das viagens realizadas nas 19 cidades; o restante utiliza ônibus, caminhão, táxi, motocicleta, bicicleta. Segundo a pesquisa, 17,6% das viagens são em ônibus municipal ou intermunicipal, enquanto 38,5% são em carro, como motorista ou passageiro e 25,1% andam a pé, viagem em que o estudo considerou a distância mínima de deslocamento de 500 metros. Em relação à última pesquisa, de 2003, os usos dos transportes individual e coletivo cresceram, respectivamente, 22.9% e 12% e a locomoção a pé caiu 24,5%.
Esses dados acenderam o alerta dos prefeitos, reunidos ontem em Vinhedo, para a necessidade de melhorar o sistema de transporte coletivo sob pena de inviabilizar a mobilidade dentro das cidades.
Segundo o secretário Jurandir Fernandes, a quantidade de viagens em transporte individual — 2,07 milhões por dia, ou 60,2% — ocorre não porque o transporte coletivo é ruim, mas porque os incentivos ao uso de carros e motos tem sido grande. “Hoje se financia carro em 72 vezes, o governo federal dá desconto do IPI e isso em detrimento do incentivo ao transporte coletivo. A política macroeconômica tem que ser revista, com aumento de investimento no coletivo. Se isso não ocorrer, a mobilidade nas cidades rapidamente estará comprometida”, disse. Ele lembrou que o excesso de motorização já está provocando a saturação das rodovias D. Pedro I, Anhanguera, Bandeirantes e até o anel viário de Campinas.
Já o grande número de viagens a pé é um alerta para que os municípios cuidem mais das calçadas, do lixo, da sinalização. “Hoje as calçadas são praticamente intransitáveis e é obrigação do cidadão cuidar delas. Compete aos municípios fiscalizar. De tão ruim que elas são, as pessoas andam na rua”, afirmou. O percentual de pessoas se deslocando a pé na RMC é semelhante ao de várias cidades europeias, conforme o secretário. “É saudável caminhar, desde que as calçadas tenham condições”, afirmou.
O coordenador da pesquisa, Roberto Arantes Filhos, avalia que o que tem pesado no número de pessoas caminhando para ir ao trabalho, à escola, às compras, é o aspecto econômico, porque a tarifa do transporte coletivo afeta a renda familiar. O valor alto da tarifa é resultado, de acordo com o secretário, de um círculo vicioso que se inicia com o incentivo ao uso do transporte individual. Segundo a sua avaliação, a facilidade de comprar carro tira passageiros dos ônibus e isso faz com que a tarifa aumente, porque há linhas que acabam não tendo passageiros e são desativadas e aí com tarifa alta e menos linhas, as pessoas passam a andar a pé ou bicicleta (o uso de bike está em 2,2% das viagens, ou seja, 104,1 mil são feitas em bicicleta).
A pesquisa visa conhecer o padrão de deslocamento, em razão das características socioeconômicas da população dos 19 municípios, mapear a localização espacial dos polos de produção, a motivação de viagens, além de fornecer informações para formulação de políticas públicas. O levantamento foi feito de outubro de 2011 a maio de 2012, período em que foram entrevistados 21 mil motoristas nas rodovias de acesso à região e moradores de 12 mil domicílios.
Na RMC são feitas 4,7 milhões de viagens, a maioria concentrada em Campinas, que responde por 2 milhões de viagens por dia, ou 42% do total na RMC. A maioria das viagens ocorrem dentro dos municípios.
A pesquisa aponta também que a maioria das pessoas que se deslocam a trabalho tem preferência pelo transporte coletivo. Mas o carro ou moto também tem participação importante nesse deslocamento e também a pé. Na distribuição por motivo de educação ocorre o inverso, predominando o modo a pé, seguido do coletivo e, por último, do individual