Circulando apenas alguns minutos no Centro, é possível constatar uma grande variação. A movimentada Avenida Dr. Moraes Sales é um bom exemplo
Procon Campinas ressalta que é importante que o consumidor peça nota fiscal na hora de abastecer o veículo e registre por meio de foto a prática que julgar abusiva para denunciar nos canais disponíveis do órgão de defesa do consumidor (Leandro Ferreira)
Encontrar postos com combustível não é mais raridade em Campinas, mas o preço praticado por alguns é considerado abusivo pelos motoristas. Circulando apenas alguns minutos no Centro, é possível constatar uma grande variação. A movimentada Avenida Dr. Moraes Sales, que vai do Terminal Central até a saída para o Distrito de Sousas, é um bom exemplo. Na via, a população se depara com o litro da gasolina sendo comercializado por R$ 4,39, contra R$ 4,99 em estabelecimentos separados apenas por um quarteirão. Já o etanol tem custado, no mínimo, R$ 2,89 ao consumidor, porém há lugares que fixaram o valor do litro em R$ 3,19. Para Vinícius Campagnone, advogado de 31 anos, elevar os preços neste momento, em particular, é uma "afronta a cidadania". Ele relata ter visto postos comercializando o litro da gasolina por R$ 6,99. Hermando José Nardi Filho, aposentado de 68 anos, endossa o coro enfatizando que, "estão explorando as pessoas". Um empresário do ramo, que preferiu não se identificar, aponta que principalmente os postos desbandeirados estão se aproveitando da situação. Segundo ele, os valores não foram alterados na sua loja no período da greve e nem agora. Flavio Martini de Souza Campos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas (Recap), repudia o oportunismo de alguns empresários, frisando que, "não é uma postura correta". Sobre a via citada, Martini disse já ter registrado no passado, problemas com dois estabelecimentos em particular, que "foram pegos com dispositivos para alterar o valor na bomba de combustível". Prática abusiva No último dia 24, o prefeito Jonas Donizette (PSB), determinou que o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) realizasse uma fiscalização rígida para coibir a prática abusiva nos preços dos combustíveis nos postos do município. Desde então, 11 fiscais foram designados para realizar averiguações. Até a última quarta, o órgão lavrou 91 autos em que foram solicitadas cópias das notas de compra de combustível pelo posto e da nota de venda ao consumidor final. As unidades do Procon que funcionam no Poupatempo do Centro e do Campinas Shopping estarão abertas hoje. Além das unidades fixas, os consumidores também podem fazer denúncias por meio do aplicativo do Procon ou pelo serviço digital. Durante o feriado, os serviços 151 e as unidades de atendimento do Agiliza, Procon Móvel e a sede administrativa não terão atendimento, que será retomado na próxima segunda. Yara Puppo, diretora do Procon Campinas, diz que "é importante que o consumidor peça nota fiscal, registre por meio de foto a prática que julgar abusiva e faça a denúncia em um dos canais disponíveis, para que nossas equipes possam fazer a fiscalização, lavrar os autos e tomar as medidas cabíveis dentro do que prevê o Código de Defesa do Consumidor". Motorista ainda enfrenta filas pontuais nos postos da região O abastecimento de combustíveis em Campinas e Região segue a todo o vapor. O Recap informou que anteontem, feriado de Corpus Christi, 712 caminhões-tanque foram carregados nas distribuidoras do megapolo da Refinaria de Paulínia (Replan). As bases prioritárias da Petrobras, formadas também pelas refinarias de Araucária (PR), Betim (MG), Canoas (RS), Duque de Caxias (RJ) e São Paulo (Capital), encerram a quinta-feira, com números 120 % superiores do seu volume habitual. Ao todo, 3.756 caminhões foram abastecidos. Ontem, a procura pelo abastecimento continou grande em Campinas e algumas filas pontuais ainda foram notadas. Movimento termina no porto de Santos A greve dos caminhoneiros autônomos concentrados há 11 dias em um dos principais acessos ao porto de Santos, no Litoral do Estado, acabou na noite de anteontem. A decisão ocorreu depois que três associações que representam a categoria se reuniram com o governador Márcio França (PSB). Os trabalhos foram retomados à zero hora de ontem. França e os representantes dos manifestantes acordaram o parcelamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), além de assegurar a criação de, no mínimo, seis novos pontos de parada para os caminhoneiros nas rodovias, sendo que o diesel será comercializado com desconte entre 10% e 15%, nestes locais. Boato sobre nova greve se espalha pelas redes sociais As redes sociais foram 'bombardeadas' ontem com notícias sobre uma nova paralisação a partir da próxima segunda, na qual as rodovias seriam bloqueadas outras vez, em protesto ao preço dos combustíveis e contra o presidente Michel Temer (PMDB). Contudo, nenhum sindicato ligado aos caminhoneiros ratifica que uma nova ação esteja planejada para o período. A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), entretanto, divulgou nota nesta sexta-feira (1), pedindo ao Governo o cumprimento do acordo assinado, que garante a redução de R$ 0,46 do diesel nas bombas dos postos de combustível. A instituição "espera que haja uma forte fiscalização para que esse desconto seja visto nas redes de abastecimento de todo o país" e diz não entender que "a cobrança deste desconto seja sinônimo de tabelamento de preço", mas sim a garantia a isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), Programas de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o óleo diesel. Outros rumores foram espalhados desde que a greve foi deflagrada pelos caminhoneiros autônomos. Entre as notícias falsas estão, bloqueio do WhatsApp, confisco de notas, corte de energia, decretação de Estado de sítio, eleições antecipadas, intervenção militar e greve geral.