Motoristas e cobradores foram ameaçados e transporte acabou suspenso mais uma vez

O sistema de transporte coletivo no bairro só voltou a funcionar por volta das 9 da manhã (Edu Fortes/AAN)
Motoristas e cobradores de ônibus da VB Transportes e Turismo, em Campinas, voltaram a ser ameaçados na noite de sexta-feira, 26, e interromperam mais uma vez o transporte coletivo em cinco linhas que operam nos Bairro Campo Belo, São Domingos, Vila Palmeiras, Jardim Marisa, Jardim Itaguaçu e Jardim Fernanda.
A ação das gangues é recorrente desde que um baile funk passou a ser realizado nos finais de semana no Campo Belo, região do Aeroporto Internacional de Viracopos, o que movimenta milhares de pessoas. Segundo relatos dos funcionários da empresa de ônibus, os vândalos entram nos veículos e impedem que os motoristas façam paradas nos demais pontos. Os funcionários receberam todos os tipos de ameaça, inclusive, com armas de fogo.
Segundo informações da empresa, as ameaças são praticadas por pessoas que vêm de outros bairros. O diretor de Comunicação e Marketing da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), a qual a VB é associada, Paulo Barddal, disse ontem que as ações de violência têm afetado toda a região. "Os atos violentos acabam prejudicando os moradores, trabalhadores e pessoas de bem da região do São Domingos que dependem do transporte público"
A primeira suspensão do serviço do transporte coletivo neste final de semana ocorreu na noite de sexta-feira, por volta das 21h. Segundo informações relatadas por um motorista da linha 190 (que percorre o trecho da região central a té o São Domingos) os vândalos entraram no ônibus e impediram as paradas. "Para que fossem realizadas as quatro últimas viagens nos últimos horários, as linhas foram escoltadas pela Guarda Municipal até seus bairros de origem e os veículos seguiram para a garagem" , afirmou Barddal.
A operação das linhas foi retomada na manhã deste sábado, 27, porém, na sequência, tiveram de ser novamente suspensas. Ao perceberam a saída dos participantes da festa, os motoristas decidiram não passar pelos pontos do bairro São Domingos e novamente os carros voltaram para a garagem. A Polícia Militar (PM) foi comunicada, porém, a informação repassada pela empresa de ônibus foi a de que não havia viatura disponível para a escolta. O sistema de transporte coletivo no bairro só voltou a funcionar normalmente por volta das 9 da manhã.
Histórico
Na última semana o Correio ouviu os moradores e motoristas que operam nas linhas afetadas pelas ações de violência. A unanimidade é o medo que toma conta dos coletivos. Consumo de drogas, assaltos a mão armada e atos de vandalismo viraram rotina, principalmente na linha 190, que possui dez ônibus rodando diariamente, e transportam, em média, 12 mil passageiros. Mas pelo menos outras cinco linhas que rodam pela Santos Dumont também passaram a ser alvo de gangues.
As linhas 192 e 197, que fazem praticamente a mesma rota dos ônibus que vão para o São Domingos, também estão sofrendo com a atuação dos marginais. Com a paralisação dos circulares da 190, o problema migra para essas linhas, que são de uma cooperativa, gerando um efeito cascata. Neste final de semana, todas as cinco linhas que operam na região tiveram suspensões temporárias no atendimento.